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- REPORTAGEM
Ano
lectivo começa com menos escolas
Escolas
de acolhimento prontas e à espera dos alunos
Fontela
(Vila Verde), Morros (Bom Sucesso), Esperança, Broeiras e
Carvalhal (Alhadas), Cunhas (Moinhos da Gândara), Carritos
(Tavarede) e Calvete (Alqueidão) são as localidades
com escolas do 1.º ciclo que este ano encerram as suas portas
devido ao número reduzido de alunos, menos de 10.
As cerca de 35 crianças são transferidas para as chamadas
escolas de acolhimento. A autarquia figueirense, respeitando as
directrizes do Ministério da Educação, tem
em mãos elevados encargos financeiros com esta nova postura
educacional.
Teresa Machado, vereadora da Educação, afirma que
“a ministra da Educação não tem noção
das dificuldades diárias encontradas no terreno” para implementar
esta medida.
Mais
de três dezenas de alunos do 1.º ciclo do concelho da
Figueira da Foz são este ano encaminhadas para outras esco-as,
o mais próximas possíveis das suas residências.
É esta a vontade do Ministério da Educação
(ME) quando em causa estão escolas com menos de 10 alunos.
Serra da Boa Viagem, Porto Godinho (Borda do Campo) e Cabecinhos
(Lavos) estão mesmo no limite.
Ainda que na Figueira da Foz o cenário não seja tão
alarmante como noutros concelhos, alunos e pais encaram com apreensão
este novo modelo, na medida em que as crianças deixam as
suas escolas, os seus meios já conhecidos, e partem para
o desconhecido. Novas salas, novos professores, novos colegas, novos
métodos e novos ambientes.
O ME garante transporte para estas crianças sempre que esteja
em causa uma distância superior a três quilómetros.
E para aqueles que agora têm de percorrer um ou dois quilómetros,
ou mesmo uns hipotéticos 2.999 metros? A autarquia figueirense,
neste caso, assume o transporte. “Não faz sentido que uns
tenham melhores meios do que outros. Queremos o bem estar e a qualidade
para todas as nossas crianças, por isso vamos assumir essas
falhas e encontrar as melhores soluções”, sublinha
a vereadora da Educação Teresa Machado.
Centena
e meia de novos professores
As novas directrizes educacionais são “muito complexas”.
Teresa Machado dá o exemplo da implementação
das actividades de enriquecimento curricular, que decorrem no horário
escolar, até às 17h30. Os pais podem optar por colocar
os seus filhos, após o horário normal da aulas, em
actividades de inglês, educação física,
educação musical ou artes plásticas. Trata-se
de 2.200 crianças do 1.º e 2.º ciclos que carecem
de um espaço físico.
Teresa Machado garante que “já temos os locais escolhidos”,
havendo ainda alguma incerteza no caso da freguesia de S. Pedro.
Quando pedido o apoio de instituições de solidariedade
social (também no transporte das escolas para as referidas
actividades) “não tive-mos receptividade da parte delas (exceptuando
a Fernão Mendes Pinto), não se mostraram receptivas
a colaborar nem mediante uma contrapartida financeira”.
Respeitando a lei, a autarquia figueirense irá contratar
perto de 150 professores para as quatro actividades de enriquecimento
curricular, mais os necessários auxiliares de acção
educativa, assegurando ainda o transporte e investimentos nalguns
edifícios. O ME entrega à autarquia um apoio financeiro
de 250 euros por ano para cada aluno neste plano. Verba essa considerada
“irrisória” pela autarca. “Os encargos para as autarquias
não são cobertos pelo ME de forma nenhuma. “A ministra
da Educação não tem noção das
dificuldades diárias encontradas no terreno”, para implementar
estas medidas, afirma Teresa Machado.
A ex-professora, contudo, diz que “aplaudo estas medidas de enriquecimento
pessoal das nossas crianças, em ter-mos pedagógicos.
Mas o ME não fez bem os trabalhos de casa, e não está
a conduzir o processo da melhor forma. Há falta de articulação,
por exemplo, com o Ministério da Solidariedade Social”.
Ainda assim, Teresa Machado (que tem mantido reuniões periódicas
com os agrupamentos escolares) garante que “temos todo o sistema
montado, pronto a funcionar. Desde os novos espaços físicos
ao transporte escolar”. Falta agora saber se os encarregados de
educação irão optar por colocar as crianças
nestas actividades, ou em instituições particulares.
No regresso às aulas, acredita Teresa Machado, cada escola
irá auscultar os pais a fim de dissipar dúvidas e
avançar-se com números concretos.
Quanto à alimentação, na maior parte das escolas
é providenciada ou pelas comissões de pais e encarregados
de edu-cação, ou por instituições privadas.
E neste particular, Teresa Machada recorda que a autarquia figueirense
despende anualmente 50 mil euros com a alimentação
de alunos social e financeiramente carenciados.
Centros
escolares em stand by
A Carta Educativa (CE) elaborada pela autarquia figueirense prevê
a construção de, no mínimo, 18 centros escolares.
Espaços que irão receber as tais actividades extra-curriculares,
refeitório, biblioteca e ludoteca, entre outras valências.
Segundo a vereadora, a Carta Educativa está concluída,
à espera de aprovação do Ministério
da Educação. Só de-pois é que será
possível a captação de investimentos. A autarca
garante ter já confirmado, ainda que verbalmente, o parecer
positivo da Direcção Regional de Educação
do Centro que, sublinhou, “considera a nossa CE exemplar”.
O atraso da conclusão da CE deveu-se a vários motivos,
como seja uma nova regulamentação da Educação,
o pedido recente da previsão dos investimentos e localização
de cada futuro centro escolar.
A concluir, Teresa Machado afirma que a implementação
de todo este sistema educativo, concelhio, com o apoio dos agrupamentos
escolares, “é uma tarefa hercúlea. A Ministra da Educação
não faz a mínima noção do que isto acarreta...”.
Jorge
Lemos
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Universidade
Internacional actualiza-se com Bolonha
A
Universidade Internacional da Figueira da Foz (UIFF) está com
nova dinâmica e a actualizar os seus cursos. Carla Murta, secretária-geral
da instituição, refere a O Figueirense que “estamos, no
início de uma profunda reforma do ensino superior, provocada
em larga medida pela adequação do nosso sistema ao ‘Processo
de Bolonha’. O mesmo será dizer, estamos numa mudança
na cultura universitária, sem que no entanto esta deva abandonar
os seus valores ancestrais que continuam e continuarão a ser,
a difusão da cultura, a preservação e o incremento
do conhecimento através do ensino e da investigação
científica, a resposta às exigências e ansiedades
da sociedade contemporânea, devendo no entanto a universidade
não se comprometer com definições superficiais,
decorrentes de conceitos como ‘teologia do mercado’ ou ‘ditadura da
inovação’”.
Para esta responsável pelo estabelecimento de ensino, “a Universidade
Internacional da Figueira da Foz tenta acompanhar, com a devida prudência,
a actual reforma em curso”. Está, porém, consciente das
responsabilidades e dos enormes obstáculos que vai encontrar.
Na sua opinião, a universidade da Figueira “nunca considerou
a aplicação do Acordo de Bolonha como uma mera adequação
administrativa da duração dos cursos. Se o fizéssemos,
estaríamos a pres-tar um mau serviço aos nossos estudantes,
às famílias, às empresas e organizações
que recrutam os nossos diploma-dos. O Processo de Bolonha serviu para
repensar o processo educativo, a formação dispensada aos
alunos nos diferentes ciclos, as competências adquiridas em cada
ciclo de estudos e a sua relevância profissional”, diz convicta.
Carla Murta acrescenta que deste esforço resultou a transformação
dos três cursos de licenciatura: Direito (quatro anos), Psicologia
(três anos), Gestão (três anos) e a criação
de oito novos cursos de mestrado.
“Tal significa que no próximo ano lectivo todas as licenciaturas
estarão a ser oferecidas segundo as novas regras. Porém,
os verdadeiros desafios e obstáculos colocados pela aplicação
do Acordo de Bolonha começam agora. Alguns têm obrigatoriamente
que ser resolvidos por nós próprios, no seio das instituições:
a transformação do modelo de ensino e a melhoria da sua
qualidade, a maior exposição internacional da universidade
ou a adopção das melhores práticas científicas
e pedagógicas”.
Parcerias
inéditas
Outros desafios ainda só poderão ser ultrapassados no
enquadramento de diferentes sectores da sociedade, destacando-se naturalmente
a estrutura empresarial na sua globalidade. “Cada um deve assumir as
suas obrigações em todo este processo. Não basta,
pois, no caso vertente da reforma de Bolonha, apresentar no ministério
da tutela uma diferente configuração da oferta curricular
da cada uma das instituições aderentes, vestindo-a com
novas roupagens, tentando tanto como possível, obedecer à
estrutura preconizada no Dec. Lei 74/2006”, explica a responsável.
Prosseguindo, salienta que “de nós, universitários, exigimos
um superior empenhamento dos professores, dos alunos e de toda a estrutura
de apoio, mais qualidade, melhor definição de objectivos
não só no ensino como principalmente na investigação
científica em qualquer das suas dimensões, vontade de
trabalhar em amplas redes de cooperação, cedência
em certas prerrogativas pessoais, melhor gestão dos recursos
e consciência de que a sociedade tem o direito de saber o que
fazem as suas universidades”. A UIFF tem vindo a estabelecer parcerias
de elevada importância, algumas até inéditas, que
serão plataformas importantes para assegurar todo o processo
de reforma do ensino na UIFF.
Das tutelas, “contamos que reconheçam que a reforma de Bolonha,
para que possa levar a cabo os seus objectivos com sucesso, tem de ser
acompanhada e com urgência de outros procedimentos e reformas”,
nomeadamente a lei da autonomia das universidades – “precisamos de um
acto legal que nos permita actuar com maior responsabilidade, mas sem
sermos surpreendidos constantemente por alterações pontuais,
desenquadradas”; também a reforma do ensino secundário,
“para que os professores e alunos sejam preparados para as novas perspectivas
decorrentes da reforma do ensino superior”; a revisão e orientação
do ‘acesso ao ensino superior’, “simplificando e flexibilizando o ingresso
mas, obviamente na observância de alguns princípios”.
Dos empregadores, especialmente a indústria e serviços,
refere Carla Murta, “espera-se um olhar renovado sobre a problemática
e significado dos novos conceitos de ‘licenciatura’ e ‘mestrado’, cuja
empregabilidade deve ter efeito a vários níveis, todos
eles válidos”.
Desta forma, “pede-se que os conteúdos curriculares dos candidatos
ao emprego sejam devidamente avaliados, incluindo os ligados tradicionalmente
às ciências humanas e sociais que certamente introduzirão
muitas e boas surpresas”, conclui Carla Murta na certeza de que “os
alunos da UIFF estão em Bolonha”.
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Manuel
Mariano: Um advogado aficionado pela arte tauromáquica
“As touradas são como o arroz de lampreia, ou se gosta
ou não se gosta”
“Ainda
me recordo da primeira vez que fui assistir a um espectáculo
tauromáquico. Tinha quatro anos e fui com o meu pai ao Coliseu
da Figueira”.
Foi com estas palavras que Manuel Cruz Mariano, advogado de 68 anos
e natural da Figueira da Foz, iniciou o seu discurso, algo saudosista
no que toca ao tema em discussão.
Há
37 anos que pratica advocacia, mas o gosto pela arte tauromáquica
está patente na sua personalidade. “É sem duvida um espectáculo
que envolve um turbilhão de emoções, não
só para quem está a assistir co-mo também para
quem tou-reia e quem é toureado”, contou a O Figueirense, referindo
que o gosto tem génese idiossincrática.
O fascínio e tudo o que envolve a lide de touros sempre o cativaram,
dada a tenra idade com que se iniciou nestas andanças. O facto
é que este gosto foi-se desenvolvendo, bem como os conhecimentos
que envolvem esta arte.
Exemplo disso, foram os testemunhos revelados ao nosso jornal, de idas
a praças para assistir a espectáculos grandiosos que ficaram
gravados nos anais da história tauromáquica.
A presença no dia em que Conchita Citrón pela primeira
vez, há 58 anos, enfrentou um touro enraivecido, foi acontecimento
destacado por Manuel Mariano.
“A surpresa instalou-se no Coliseu, era a primeira vez que uma mulher
pisava a arena, mas fê-lo de forma artística e superior”.
Referiu também a presença de um mexicano em terras lusas,
Gregório Garcia, personalidade imponente na arte que “depois
da 2ª Grande Guerra veio levantar a moral e o regresso da aficcion
da festa brava em Portugal”.
Um símbolo de ordem cultural
Manuel Cruz Mariano destaca ainda a arte de tourear e o gosto pela mesma
como um factor de identidade e cultura de um povo, sobretudo para o
povo da Península Ibérica.
Questionado sobre a eventual presença de dolo quando o toureiro
actua perante o touro, Manuel Mariano responde que “não encaro
a intenção como um facto, acho que há um combate,
em que temos os protagonistas e os protagonizados. Se acabasse a tourada,
acabava a espécie do touro bravo”.
Salienta ainda que o touro bravo não se pode considerar uma raça
animal criada pela natureza, mas sim uma raça bravia que vem
sendo aperfeiçoada ao longo dos tempos pela mão humana,
o que não lhe tira o carácter de fera. A lide é
uma luta entre o homem e uma fera.
Quanto à festa dos touros em Portugal e a legislação
em vigor, o causídico refere que “as touradas são como
o arroz lampreia, ou se gosta ou não se gosta. É sobretudo
uma questão de sensibilidades”, compreendendo quem não
gosta do espectáculo.
Não embarca muito em esclarecimentos relativos à lei,
mas destaca a atitude do público, que por vezes pelo entusiasmo
e emoção se deixa levar, desrespeitando e quebrando a
concentração do toureiro e mesmo a atenção
do touro que se distrai com extrema facilidade. Em tom conclusivo destacou
que “a regulamentação legal é fundamentalmente
para a forma de obstáculo e para evitar fraudes quanto à
idade e à forma de lide”.
Cristiano Costa
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