Director:  
05 Janeiro/2007  
Ano 88º  
Edição N.º 5489  
 
  CRÓNICAS

Transferência da Unidade de Saúde da Marinha das Ondas

Resposta às acusações do presidente da Junta de Freguesia da Marinha das Ondas

No passado dia 16-12-06 decorreu uma cerimónia de transferência das instalações da unidade de Saúde da Marinha das Ondas do 1.º andar para o rés-do-chão do edifício da Casa do Povo da localidade.
Na altura, o senhor presidente da Junta de Freguesia, como já vem sendo hábito, fez declarações/acusações falsas e caluniosas em relação ao anterior director do Centro de Saúde da Figueira da Foz que importa denunciar e desmontar, repondo a verdade dos factos que os marinhenses merecem, bem como todos os figueirenses que sobre este assunto leram ou ouviram a comunicação social.
Atestando a sua postura pouco ética, o senhor presidente da Junta não teve a amabilidade e respeito institucionais e democráticos de convidar para a cerimónia a actual directora do Centro de Saúde nem os vereadores da oposição e nem sequer teve o comedimento próprio das pessoas bem educadas, porquanto na ausência dos visados não se coibiu de tecer acusações falsas e injuriosas para a sua honra.
Para que não fiquem quaisquer dúvidas, importa esclarecer algumas questões na altura propagandeadas e às quais o senhor presidente da Câmara aparentemente deu cobertura:
* - Os 63 mil euros referidos como gastos na unidade de Saúde não eram do presidente da Câmara ou do presidente da Junta, mas sim de todos nós. Todos os figueirenses pagaram a mudança de instalações da Unidade de Saúde da Marinha das Ondas.
* - As obras necessárias para alterar o rés-do-chão da Casa do Povo, reordenando-o de molde a poder funcionar como unidade de Saúde custaram seguramente bastante menos, tendo o restante sido gasto em obras, certamente necessárias, mas para a Casa do Povo.
* - É falso dizer-se que as obras da unidade de Saúde custaram 63 mil euros, mas gostaria de saber quanto custaram verdadeiramente aquelas que foram absolutamente necessárias para o funcionamento da nova Unidade de Saúde?
* - Em 8 de Março de 2005, num encontro onde esteve o director do Centro de Saúde, a vereadora Anabela Gaspar, o presidente da Junta, elementos da Casa do Povo e entre outras pessoas, o senhor Rui Jorge da empresa Jocar, previa-se que as alterações necessárias para a unidade de Saúde custassem menos de cinco mil euros, tendo o director do Centro de Saúde referido que estas poderiam vir a ser assumidas pelo Centro de Saúde.
* - Na altura, o senhor presidente da Junta e concomitantemente presidente da direcção da Casa do Povo, senhor São Pedro de Almeida, referiu precisar de 50 mil euros para realizar outras obras também necessárias para a Casa do Povo. Depois de um contacto telefónico, presumo para o senhor presidente da Câmara, a senhora vereadora anunciou que poderiam contar com os 50 mil euros.
* - Depois desta boa nova o senhor presidente da Junta afirmou não ser necessário qualquer apoio do Centro de Saúde e que a Junta e a Casa do Povo assumiriam todas as despesas, pois a verba em causa para a futura unidade de Saúde era pouco significativa.
* - Na altura, o director do Centro de Saúde manifestou a intenção de se fazer a mudança o mais rapidamente possível, depois de realizadas as obras, o que só veio a acontecer agora, por motivos que julgo terem a ver com atrasos na disponibilização da verba por parte da autarquia.
* - Estou a reportar acontecimentos de Março de 2005 e o então director do Centro de Saúde da Figueira da Foz deixou de exercer essas funções em Setembro de 2005, a seu pedido, aliás solicitado logo em Maio, e pelas razões publicamente conhecidas de ter sido escolhido como candidato do PS à presidência da Câmara Municipal.
* Todos os profissionais do Centro de Saúde em geral e, em particular os da unidade de Saúde da Marinha das Ondas, conhecem as acções desenvolvidas pelo então director, no sentido não só de reparar a cadeira elevatória existente e que padecia de avarias constantes, mas também para a instalação de um elevador normal que possibilitasse uma melhor acessibilidade dos utentes.
* - Todos os profissionais conheciam a vontade do então director em mudar as instalações do 1.º andar para o rés-do-chão do edifício, intenção esta várias vezes manifestada das mais diversas formas, desde que tomou posse em Junho de 2000.
* - O senhor presidente da Junta de Freguesia também tinha conhecimento desta intenção, não só pela comunicação social, como também através de contactos pessoais realizados na altura e que apontaram para um conjugação de esforços neste sentido e dos quais destaco uma reunião formal realizada em 05-01-2005, na qual ficaram alinhavadas as alterações necessárias para se proceder à mudança, colocando-se de vez de lado a possibilidade de arranjo da cadeira ou mesmo da construção de um elevador que custaria à volta de 10 mil euros.
* - Lamento que a verdade dos factos tenha sido escamoteada aos marinhenses e aos figueirenses em geral. As declarações/acusações produzidas pelo sr. São Pedro Presidente da Junta não são honestas e devo denunciá-las, porque são falsas e porque são injustas em relação à preocupação sempre manifestada pelo então director em melhorar a prestação de cuidados de saúde à população da Marinha das Ondas, preocupação esta de novo e mais recentemente manifestada, quando desenvolveu contactos para que não se procedesse ao encerramento da unidade de Saúde da Leirosa e outras com menos de 1.500 utentes inscritos.

O director do Centro de Saúde da Figueira da Foz entre Junho 2000 e Setembro de 2005.

Victor Sarmento
(Médico)

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Aborto sentido

Do debate sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez apenas uma coisa é clara: discutimos opiniões e não factos. Só assim se entende o calor desta discussão canalizada em movimentos, do “não” e do “sim”.
Desanimo porque raras são as vezes em que uma discussão acalorada deixa fluir um confronto sério, racional e objectivo. Pelo contrário, assiste-se a um esgrimir sensacionalista e sentimentalista atirando a discussão para um subjectivismo imobilizador.
Independentemente da minha opinião, que a tenho, gostaria que cada um respeitasse a moralidade da discussão em causa tornando-a ponderada e consequente, renunciando ao activismo histérico dos que proclamam um ou outro movimento como se fossem campanhas políticas. Sob esse pretexto, desafiam-se as pessoas para saírem à rua gritando frases e empenhando cartazes com tristes imagens que não servem em nada a clareza necessária a esta discussão. Sejam a favor, sejam contra a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, penso ser necessário respeitar a dimensão privada da opinião e da decisão e não confundir a mesma com populismo ou activismo.
Desanimo, também, porque esta tendência histérica de discutir assuntos sérios armadilha ambos os lados da questão, fazendo-os entrar em contradições e controversas afirmações.
Por exemplo, quem no seu perfeito juízo pode afirmar ser “a favor do aborto”? Naturalmente, ninguém e sei bem que nem os que são a favor da despenalização da interrupção voluntária da gravidez são “a favor do aborto”; haverá alguém que o seja? Só quem nunca o praticou ou quem não consegue imaginar o quão fragilizante um aborto é, pode afirmar tal coisa. Mas isto não obsta a que alguém seja a favor da despenalização da interrupção voluntária da gravidez, ou do aborto, como queiram. São coisas diferentes e só quem receia que o “sim” ganhe pode defender que são a mesma coisa na tentativa vã de confundir os votantes e provocar-lhes algum peso na consciência, associando-os a uma cultura da morte quando envergam o slogan “vote a favor da vida”, como se o “sim” proclamasse a morte… Jogam-se palavras e metáforas para pesar os conteúdos e confundir os sujeitos. Discutimos a despenalização de algo e não o seu aconselhamento ou defesa desse algo, neste caso, da interrupção voluntária da gravidez.
Provocando uma discussão confusa, construímos um futu-ro ardiloso para ambos os lados: se o “não” vingar, continuaremos neste cinzento hipócrita de quem se diz na lei algo que não é praticável porque desumano; se ao invés o “sim” vencer, receio que se despenalize apenas e não se desenvolvam mecanismos paralelos necessários para acompanhar e aconselhar uma situação que não sendo desejável deve ser trabalhada. Assim, quem faz um aborto deve fazê-lo em condições humanas e logo aconselhado (objectivamente e do ponto de vista da saúde e do impacto psicossocial) e acompanhado para efectivamente prevenirmos um aborto, indesejável para qualquer ser humano. Posto isto, podemos deixar respirar as opiniões?

Inês Pinho
albergariapinho@gmail.com

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O aborto

Mais uma vez somos chamados a nos pronunciar sobre a questão do aborto. Naturalmente é uma questão que divide a sociedade portuguesa. Ainda bem. O que é preciso agora é apresentar os argumentos de cada lado.
Vou apresentar os meus. Sou contra o aborto. Sou contra porque sou a favor da vida. Não posso aceitar que se mate um feto. Para mim um feto é vida e é vida a partir do primeiro dia. É por isso que não compreendo a discussão ridícula de se aceitar abortos até 10 semanas e acrescentar que a partir desse período já não é possível abortar. Porquê? Só a partir das 10 semanas é que é vida!? E se for nas dez semanas e um dia?
Seria mais corajoso e lógico, para quem defende o aborto, defender a interrupção até aos nove meses. Nesta questão sou básico: duas células juntas são vida.
Com que moral se pode decidir matar um ser que não fez mal nenhum a ninguém. Em Portugal chegou-se ao mais ridículo: temos um ministro da Saúde que manda fechar maternidades e que simultaneamente diz que o Estado gasta pouco em abortos. É absolutamente inaceitável! Que se defenda o aborto, apesar de eu discordar, posso aceitar. Agora defender que a vida só começa a partir de uma determinada data é absolutamente ridículo e de mau gosto.
Também não é aceitável que muitas organizações e pes-soas que são contra o aborto são simultaneamente a favor da pena de morte. Não tem lógica. O princípio deve ser o mesmo: defender sempre a vida!
Curiosamente muitas das pessoas que defendem o aborto são defensores dos Direitos dos Animais...

Paulo Neves

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