Director:  
12 Janeiro/2007  
Ano 88º  
Edição N.º 5490  
 
  REPORTAGEM

Concelho reforçado com 20 novos bombeiros municipais

A corporação dos Bombeiros Municipais da Figueira da Foz foi reforçada com a contratação de 20 novos bombeiros de 3.ª classe. Fernando Castro mostrou-se satisfeito pele “número muito expressivo” de novos elementos que passam a integrar os Municipais considerando que “vêm dar uma nova vitalidade” ao grupo que, ao longo dos anos, “tem vindo a sofrer de um processo lento de esvaziamento de meios humanos”.
Para o comandante da corporação , “a Figueira da Foz pode contar com um corpo de bombeiros bem estruturado, disciplinado e dotado de bons meios”. Duarte Silva, por seu lado, recordou “o processo conturbado” porque passaram todos estes 20 elementos que agora foram contratos. “Há seis anos que não havia um reforço tão expressivo”, disse o presidente da Câmara.
Presentemente a corporação dos Municipais conta com quatro dezenas de elementos, sendo que o ideal, segundo a orgânica vigente, seria 75 bombeiros.

A primeira mulher na corporação

Marina Caetano, de 23 anos de idade, natural e residente em Miranda do Corvo, é a primeira mulher a ser contratada para os Bombeiros Municipais da Figueira da Foz. “É um grande orgulho, em 141 anos, ser a primeira mulher nesta corporação”.
Para a jovem bombeira, “diferenças não há. Tudo o que eles fazem eu faço, não tem havido problemas”. O gosto pela profissão tem uma explicação: “o meu pai e alguns primos são bombeiros. Isto já me corre no sangue...”, explicou.
O percurso trilhado “foi complicado, estávamos a lutar por um sonho, mas tudo foi superado, e estamos todos muito contentes por fazer parte deste grupo”, disse a bombeira que está a pensar passar a residir neste concelho “provavelmente ainda este ano”.

Nossa Senhora do Ó dá nome a nova ambulância

“Nossa Senhora do Ó” é o nome da nova ambulância que o Casino Figueira (Sociedade Figueira Praia - SFP) ofereceu à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários, por ocasião das comemorações do 124.º aniversário da corporação.
No passado fim de semana o cónego João Coutinho Veríssimo abençoou esta viatura que se destina exclusivamente ao apoio médico da grávida. O novo equipamento orçou em cerca de 72 mil euros, totalmente suportados pelo Casino Figueira que irá ainda durante dois anos custear o pagamento do inerente seguro.
Para Domingos Silva, administrador da SFP, “faz todo os sentido” este tipo de iniciativas promovidas pela dita sociedade civil. “Esta é a transição do Natal para a natalidade”, considerou o gestor.
Em Dia de Reis Lídio Lopes, presidente da direcção dos Voluntários, acompanhado pelo comandante João Moreira, agradeceu a dádiva que “irá por certo contribuir para um concelho mais seguro, com melhor qualidade de vida e serviços de apoio a comunidade”. O responsável considera o acto como “um dos pilares do voluntariado na sociedade que deverá ser encarado como exemplo por muitos. Esta é, também, uma forma de prestar serviço público à comunidade”.

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Segurança infantil em destaque numa acção inédita na Figueira da Foz

Com a segurança não se brinca

A Unidade Coordenadora Funcional Infantil e Adolescente da Figueira da Foz (Centro de Saúde e Hospital Distrital da Figueira da Foz) promoveu recentemente, em colaboração com a Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI) duas acções de formação, uma para profissionais de saúde, outra para pais e demais adultos com crianças a cargo. A esta que se pretende a primeira de mais acções formativas, assistiram pais e mães (sobretudo do Projecto Integrado de Intervenção Precoce que se encontra em curso no Centro de Saúde), avós e até uma bisavó. Porque quem ama, cuida. E dispõe-se a aprender a cuidar melhor.
 Quem tem filhos ou netos pequenos sabe bem a capacidade que as crianças têm para surpreender, pondo em prática novas habilidades de que não as julgavam capazes, colocando-se em perigos que parecem inventar onde os adultos nunca esperariam.
Temerárias por natureza e por inexperiência, para as crianças tudo é descoberta e brincadeira. Uma tomada destapada, um fio do ferro de engomar caído da tábua para o chão, uma colorida embalagem de detergente colocada ao seu alcance… não é possível enumerar as situações passíveis de ferir uma criança, com maior ou menor gravidade. E ao contrário do que os adultos tendem a pensar, não é por um objecto ou uma situação ser já familiar à criança que esta se inibirá de, um dia, lhe dar um uso diferente do habitual. De tudo isto conversou a técnica de segurança infantil, Helena Sacadura, com cerca de duas dezenas de adultos, no antigo “Ponto de Encontro”, no piso inferior da Esplanada Silva Guimarães.
O Figueirense marcou presença e tomou nota dos principais temas abordados.

Acidentes acontecem

Há acidentes evitáveis, e há outros que o não são. Na maioria dos casos, porém, a acção dos adultos pode, se não prevenir a ocorrência de acidentes, pelo menos reduzir a extensão e a gravidade das marcas deixadas nas crianças.
A APSI existe desde 1992, com o objectivo de sensibilizar a comunidade para a promoção da segurança de crianças e jovens. Ao longo da sua existência a associação chegou a algumas conclusões que vêm, na sua maioria, confirmar a percepção do senso comum: os rapazes são mais propensos a acidentes; os cuidados que os adultos dispensam às crianças no primeiro ano de vida, no que respeita à atenção ao meio em que se movem, devem continuar até aos quatro, cinco anos de idade; os acidentes atingem de forma transversal todos os estratos sociais e económicos; a principal causa dos acidentes evitáveis está relacionada com a sub ou sobrevalorização das capacidades das crianças, ou seja, julgar que não há perigo porque a criança ainda não consegue fazer algo, ou porque a criança já é ‘grandinha’ e não vai fazer aquilo que para o adulto é obviamente perigoso.

Cadeirinha sempre

Não facilitar é a ‘palavra de ordem’.
De carro, a criança deve viajar sempre de cadeirinha e, mais tarde, no banco elevatório.
Os bebés devem viajar de costas no banco traseiro, para proteger o pescoço das lesões provocadas pelo embate frontal do veículo, numa altura em que a cabeça representa um quarto do peso total do corpo.
De registar que a maioria dos acidentes de viação acontecem nos percursos habituais, precisamente aqueles em que, por serem curtos, os adultos facilitam.
“A criança não quer pôr o cinto? O carro não anda. Não é uma questão negociável”, alerta Helena Sacadura, enquanto exibe vídeos que ilustram a violência com que uma criança não devidamente segura é projectada, dentro do veículo, ou para fora deste.
Ainda no que respeita ao transporte de crianças em automóveis, outros alertas: as crianças devem ser sempre retiradas do veículo pelo lado do passeio; o condutor deve sempre assegurar-se que a criança não está escondida no ângulo morto do veículo, por exemplo, quando tira o carro da garagem, de um caminho particular ou do estacionamento. E nunca deixe as chaves na ignição: os mais novos (muito novos mesmo) podem ceder à tentação de imitar o pai ou a mãe, com consequências imprevisíveis.

Quando a água mata

O afogamento é a segunda causa de morte infantil na maior parte dos países, incluindo Portugal. Um poço destapado, uma simples bacia para recolher a água da chuva, uma banheira que não se esvaziou depois do banho... podem ser fatais para crianças pequenas, em muito pouco tempo e de forma silenciosa.
“Nunca deixem uma criança sozinha no banho, ainda que por segundos, nem ao cuidado de outras crianças, mesmo que mais velhas”, alerta Helena Sacadura. Com as piscinas, por outro lado, todos os cuidados são poucos. “A APSI defende a colocação de barras verticais e fecho do lado de dentro das vedações das piscinas, e que os pais habituem as crianças a usar o colete salva-vidas adaptado à idade”, esclarece a técnica de segurança infantil, revelando que a maioria dos acidentes com crianças em piscinas ocorre no primeiro dia de férias, “quando os pais estão ocupados a fazer as malas, e as crianças a explorar o espaço, sem a vigilância desejável”.

Em casa, de gatas

A imaginação das crianças não conhece limites, por isso a melhor forma de as proteger da sua própria audácia é colocarmo-nos no lugar delas, à altura delas. “Percorrer a casa de gatas permite-nos ver o que elas vêem: as tomadas destapadas, os fios soltos, as plantas (cuidado com as venenosas), os objectos pequenos que podem asfixiar se engolidos, os detergentes (nunca trocar líquidos de garrafas e optar pelas embalagens com tampa ‘à prova de criança), e os xaropes (quanto mais doces mais atractivos) ao seu alcance, as diferenças de piso, enfim, muitas das potenciais fontes de acidentes”, explica Helena Sacadura. Ainda em casa, a APSI recomenda atenção especial para a área da cozinha: facas, superfícies quentes e objectos de vidro devem estar absolutamente inacessíveis às crianças. Cozinhar com as crianças ao colo ou deixar as pegas dos tachos voltadas para fora são também convites aos acidentes, graves. “Quem puder deve fazer um curso de primeiros socorros”, pede a técnica, uma vez que estes conhecimentos podem fazer a diferença entre a vida e a morte, entre um acidente que não deixa grandes seque-las, e um que marca a criança para sempre. Corporações de bombeiros e delegações da Cruz Vermelha Portuguesa são algumas das entidades que ministram, regularmente, estes cursos.

Aranhas ou andarilhos

Atrasam o processo da locomoção, porque permitem à criança deslocar-se sem grande esforço, mas, mais grave do que isso, podem dar origem a quedas graves, não apenas em escadas ou desníveis, como habitualmente se refere, mas também, por exemplo, no embate contra uma mesa baixa, cujo tampo choca violentamente contra a frágil cabeça do bebé, a velocidades superiores à da sua normal deslocação.
A música “Tears in Heaven”, de Eric Clapton, serviu de mote para outro alerta. O cantor dedica esta música ao filho de dois anos que perdeu quando este se debruçou, e caiu, da varanda de sua casa. “As janelas devem ter fechos de segurança e não ter por perto móveis ou cadeiras que os mais novos possam usar para aceder-lhes. As varandas não devem ter barras horizontais, nem espaços por onde os mais pequenos possam enfiar a cabeça. Se a cabeça passa, o resto do corpo passa”, sublinha.

Menos brinquedos, mas melhores

Cuidado com os brinquedos ‘baratos’. Se é certo que o preço não, por si só, garantia de qualidade, também é público que os brinquedos mais baratos tendem a ter piores acabamentos, e a partirem-se com maior facilidade. “Antes de darem um brinquedo à criança, experimentem-no: puxem os olhos aos bonecos e as rodas aos carros, passem a mão pelas arestas, atirem-no ao chão. Se se partir é melhor que seja nas nossas mãos do que nas de uma criança”, alerta. A inscrição ‘CE’ permite pressupor que o brinquedo está em conformidade com as normas das directivas europeias, mas só isso: pressupor. “Não ha nada como testarmos nós”, conclui. Nada aconselhável é também o uso de pulseiras e anéis por crianças. “Quando roídos, estes objectos podem libertar pequenas partículas que podem ir parar aos pulmões das crianças”, esclarece a técnica, que acrescenta que brinquedos com pilhas “só se estas estiverem em compartimentos fechados a parafuso”.
A APSI alerta também para a necessidade de cuidado redobrado com brinquedos ou produtos de puericultura em segunda mão, que podem já não ter a mesma resistência. Usados ou novos, é de realçar que a segurança a que o fabricante se compromete só poderá exigir-se quando os objectos estejam montados, instalados e funcionar de acordo com as instruções (obrigatoriamente em português) de montagem, uso ou instalação, e para os fins previstos.
Com crianças mais velhas o cuidado continua a ser obrigatório: são mais velhas mas continuam a ser crianças. X-actos, por exemplo, só dos que têm lâmina que recolhe automaticamente quando deixa de haver pressão. Também os secadores de cabelo ou aquecedores eléctricos não devem ficar guardados no quarto-de-banho.      

Mais sessões em breve

A Unidade Coordenadora Funcional Infantil e Adolescente da Figueira da Foz pretende promover outras sessões no concelho, sobre diferentes temáticas relacionadas com estas faixas etária. Nesta acção experimental o tempo dividiu-se entre os alertas acima reproduzidos e as histórias reais contadas pela assistência, que expôs dúvidas e lançou novos temas. No fim, os participantes foram brindados com panfletos informativos da APSI e amostras da Nestlé, entregues em mão por um representante da marca.
A APSI está disponível em www.apsi.org.pt. Para esclarecimento de dúvidas, via correio, devem as cartas ser endereçadas a Associação para a Promoção da Segurança Infantil – Vila Berta, 7 – R/C Esq. – 1170-400 Lisboa, por telefone 218870161, por fax 218881600, e por e-mail para apsi@apsi.org.pt.

Brinquedos para quem mais precisa

Finda a quadra natalícia, o Centro de Saúde da Figueira da Foz – Buarcos (CSFFB) está a receber brinquedos, novos ou usados em bom estado, que as pessoas desejem ver entregues aos cuidados e carinhos de crianças que precisam de brincar todo o ano, e não apenas no Natal. A iniciativa é da equipa que coordena o Projecto Integrado de Intervenção Precoce (PIIP), e os brinquedos serão entregues no âmbito de uma acção de sensibilização para a importância pedagógica do brinquedo.  
Roupas e material de puericultura também são aceites, com a garantia de que o CSFFB as distribuirá de acordo com das crianças que integram o PIIP. 

Andreia Gouveia
andreia.gouveia@ofigueirense.com

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