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19 Janeiro/2007  
Ano 88º  
Edição N.º 5491  
 
  CRÓNICAS

“O meu corpo é um jardim, a minha vontade o seu jardineiro”

William Shakespeare

Ana, Carla, Beatriz, Risana, Thayrine e Maiara são rostos recentes de uma morte precoce. Morreram cedo demais, aos 23, 21, 16 e 14 anos, por aspirarem a um corpo de sonho, de um sonho particular: um corpo extremamente magro.
O cuidado com o corpo, com o seu peso, a sua constituição, a sua resistência e aparência, é saudável e desejável. Mas como em tudo, “quanto baste”, não menos nem mais do que isso. O que levará, então, alguém a desejar querer ser magro, mais magro, ainda mais magro, ultrapassando em largos pontos as medidas medicamente recomendadas e socialmente apreciadas?
A intervenção na anorexia e bulimia não é fácil para os profissionais e muito menos para os familiares que acompanham impotentes a degradação de alguém próximo que contra a opinião de tudo e de todos deseja permanentemente emagrecer. Não é fácil por variadíssimas razões, nomeadamente, por não ser clara a sua etiologia, dificultando conhecer as suas causas e actuar em função disso; por envolver sofrimento físico e psicológico significativos, sofrimento este causado por um comportamento aparentemente voluntário; por implicar um tratamento sinuoso porque ambivalente para o/a jovem que percebe o risco de vida em emagrecer ad eternum mas que psicologicamente sofre ao ver-se a recuperar peso, mesmo que saudável. Parece-nos claro que no desenvolvimento de uma perturbação do comportamento alimentar interagem (como em tudo o que envolve o comportamento humano) diversos factores, tais como sócio-culturais, psicológicos, individuais, familiares, neuroquímicos, genéticos e hormonais. Não há dúvida que a imagem social e cultural sobre o corpo feminino ou masculino exerce uma influência poderosíssima sobre a percepção que desenvolvemos sobre ele. Desta influência, os discursos de quem nos são mais próximos e significativos, exercem influência maior; a família, os amigos, o/a companheira, entre outros. Observando Maiara no seu corpo frágil de uns 14 anos, um metro e setenta de altura e 38 quilos questiono-me como a sua família não se sensibilizou para a perigosidade destes números, ou para a obsessão de Maiara em querer emagrecer ainda mais; indago porque motivo os profissionais de moda, a escola, os colegas que se cruzavam com Maiara não alertaram a família para este facto; admiro-me ao ouvir os comentários da família sobre o apoio que esta lhe dava nas suas dietas e nos elogios que fazia ao seu corpo. Mas nem tudo depende do reforço (positivo ou negativo) que a família e a sociedade dá perante a magreza; investigações recentes sugerem que alterações hormonais podem estar na origem do desenvolvimento de uma perturbação do comportamento alimentar (cf. por ex. Sabine Naessén, Department of Women and Child Health, Karolinska University Hospital, Suécia); outras investigações salientam a frequência deste comportamento após a vivência de um acontecimento stressante (p. ex. a perda de alguém ou exigências profissionais elevadas).
Na incerteza que caracteriza o ser humano, esta perturbação é também ela uma incógnita, que existe, sempre existiu e continuará a existir. Mas tal não significa que fiquemos indiferentes perante a morte de alguém que se sente prisioneira do seu próprio corpo, à procura de uma perfeição utópica (passe a redundância) nunca encontrando a satisfação. Uma espiral de sofrimento pessoal e familiar que é preciso e possível interromper, sem dramatismos perante as dietas que todos nós fazemos, sem obsessões no controlo da comida dos outros aconselhando-os constantemente a comer, mas mantendo-nos próximos, calmamente atentos e valorizando uma postura saudável perante a vida, onde o corpo é sem dúvida um monumento a celebrar: e é possível celebrá-lo de tantas formas!

Inês Pinho
Psicóloga
albergariapinho@gmail.com

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Depois dos excessos… purifique-se!

Ao juntar as iguarias do Natal, Carnaval e Páscoa no mesmo tacho, preparamos a caldeirada do prazer! Será também prazer que sentimos, quando olhamos para o espelho e vemos os corpos deformados?

Mil asneiras de combinações, excessos e contradições às nossas necessidades, saturam o fígado. Este responde com depósitos de celulite nos mais diversos pontos e vasos entupidos a mostrarem, à flor da pele, as bacias e leitos de rios de varizes poluídas. Numa forma mais silenciosa, o colesterol, triglicéridos e pressão arterial estão prontos para desencadearem as mais diversas anomalias vasculares. A vesícula, pelo trabalho excessivo a que foi sujeita, enche-se de areias para mais tarde, se nada for feito, passar a “pedreira”.
Qualquer ser vivo mais não é do que o resultado daquilo que come.
Parar ou inverter os excessos cometidos, é urgente se deseja manter-se saudável. Está, pois, na hora de abolir os fritos, refogados e gorduras fervidas. No mínimo, deve comer em consonância com o seu grupo sanguíneo. Em cada refeição deve ingerir somente alimentos compatíveis e evitar fermentações excessivas que obrigarão a vesícula, já tão esforçada, a um trabalho suplementar. É preferível, em caso de dúvida, ingerir apenas um único alimento. Quando desejar fazer misturas, a melhor forma é cozinhar em simultâneo os vários ingredientes, no mesmo líquido. Assim, as reacções químicas mais violentas dão-se na panela e não no estômago.
Para quem deseja evitar a perda de sais minerais, vitaminas e dextrinas durante a cozedura, e poupar o trabalho do fígado, aqui fica uma receita:
A meio litro ou um litro de água fria, junte uma colher de sopa de sumo de limão. Juntar então todos os ingredientes para fazer a sopa. A água acidulada por esta via, no momento da elevação da temperatura, acelera e favorece o acto da cozedura, ou seja, este processo executa as funções hepáticas na transformação dos alimentos, para que as nossas células se alimentem, já que estas não conseguem comer o que nós ingerimos. Para quem tem areias ou pedra de vesícula confirmada aconselha-se tomar em jejum uma colher de café de sumo de limão, que deverá ensalivar muito bem, e só depois engolir com a ajuda de um pequeno copo de água morna. Durante 30 minutos não deve ingerir mais nada. Seja persistente e faça-o no mínimo dois meses. Convém, no entanto, consultar o seu clínico, para precaver-se de alguma anomalia que o sumo de limão possa provocar, caso haja algum problema de saúde impeditivo.
O Borotutu, Kakana, S. Roberto, sementes de linhaça e bolbo são excelentes para a limpeza e tratamento hepático, e não têm quaisquer contra-indicações, independentemente do seu grupo sanguíneo. Há muitas mais. Mas atenção, verifique se são compatíveis consigo.

Conselhos relacionados com os grupos sanguíneos:

*Se pertence ao Grupo 0, o dente-de-leão com hortelã-pimenta restaura o fígado e a vesícula rapidamente.
*Para o Grupo A, o mais aconselhável é o cardo mariano com camomila, com um pouco de chá verde, para melhorar todo o aparelho digestivo e precaver-se de doenças cancerígenas.
*As pessoas do Grupo B, não encontram nos chás grandes medicamentos, mas o chá verde e a hortelã-pimenta facilita-lhes a digestão. Para tratamento, o recurso ao Shiitake e Sleuttreroccus (Ginseng Siberiano) talvez seja a melhor opção.  Mas mais do que qualquer produto que possa ser ingerido, para estas pessoas a meditação é a forma mais sublime de cura.
*O rei dos chás é o Grupo AB. Todos os que já foram mencionados lhe são benéficos, e por incrível que pareça, até um copo de vinho tinto às refeições lhe tratará do fígado e do coração.

Dulce Santos
Especialista em Naturopatia

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Finanças Locais e Desenvolvimento Regional:
O caso do Baixo Mondego

A minha dissertação de mestrado em Economia e Políticas Autárquicas com o título “Finanças Locais e Desenvolvimento Regional: O caso do Baixo Mondego” analisa o papel das finanças locais no desenvolvimento regional, através do Fundo de Equilíbrio Financeiro (FEF), Fundo Geral Municipal (FGM) e Fundo de Coesão Municipal (FCM), enquanto transferências de tipo incondicional representando uma importante parcela da ajuda intergovernamental, no caso do Baixo Mondego e os seus oito concelhos.
As conclusões obtidas indiciam que a utilização de outros critérios, orientados para minimizar as assimetrias regionais e produzir uma melhor distribuição dos fundos, poderia conduzir ao reforço da função de perequação do Fundo Geral Municipal, à atribuição de uma ponderação mais forte a variáveis qualitativas, como consultas de centros de saúde, edifícios concluídos para habitação, alojamentos em hotéis, escolas, hospitais, vias de comunicação e emprego, em detrimento da ponderação de variáveis quantitativas como a população e área.
Com a nova Lei das Finanças locais submetida ao Tribunal Constitucional e promulgada pelo Presidente da República haverá um maior descontentamento por parte dos autarcas. Haverá um limite ao endividamento das autarquias, dificuldade em cobrir as despesas. Redução da autonomia local e descentralização do poder local. Os critérios de repartição não são vantajosos para os municípios mais pobres. Os municípios mais ricos contribuem para os municípios mais necessitados, através do fundo de coesão. O FGM é calculado com base no IRS a uma taxa variável de 5 por cento. As autarquias vão cumprir a má lei. Geralmente, dificulta uma maior provisão de bens e serviços públicos para os municípios mais carenciados. Assim, vamos ter um obstáculo para o caminho óptimo de obter um Baixo Mondego mais coeso e sustentado.
Em termos de conclusão geral, as sucessivas alterações das leis das finanças locais não se conseguiram minimizar as assimetrias do Baixo Mondego.

Manuel Alberto Baptista
Mestre em Economia e Políticas Autárquicas, alferes RC INT (Administração Militar), adjunto financeiro/chefe de Contabilidade e Financeira do Hospital Militar de Belém

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