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19 Janeiro/2007  
Ano 88º  
Edição N.º 5491  
 
  REPORTAGEM

Ex-Presidente da República inaugura “Tertúlias do Casino”

Mário Soares continua a defender modelo social europeu

O antigo Presidente da República, Mário Soares, defendeu na passada terça-feira à noite, no Casino Figueira, o modelo social europeu, quando instado pelos jornalistas a comentar o conceito da flexisegurança, defendido pelo actual chefe de Estado, Cavaco Silva.
“Não conheço bem o conceito. Mas sobre isso já disse que sou a favor do modelo social europeu”, afirmou Mário Soares, no final da primeira Tertúlia do Casino Figueira, não querendo comentar, “para já”, o novo modelo em discussão no espaço europeu.
O princípio da flexisegurança, que facilita os despedimentos e aumenta o apoio no desemprego, foi defendido pelo actual Presidente, Cavaco Silva, durante a oficial à Índia.
Cavaco Silva afirmou, durante a sua visita oficial à Índia, que “os governos nacionais devem adoptar políticas que protejam os trabalhadores e promovam a mobilidade, investindo mais na qualificação dos recursos humanos”.
Instado a pronunciar-se sobre os milhares de jovens licenciados que emigram, Mário Soares considerou “lamentável que isso aconteça” depois do investimento feito pelo Estado, embora reconheça que “faz parte da mobilidade social que existe numa Europa sem fronteiras”.

Guerra do Iraque e política externa norte-americana

Com moderação da jornalista Fátima Campos Ferreira, a tertúlia, que durou mais de hora e meia, incidiu essencialmente sobre a guerra no Iraque e a política externa norte-americana.
Falou-se também do futuro da Europa, com Mário Soares a defender a entrada da Turquia na União Europeia. “Se a Turquia respeita os direitos humanos e é uma sociedade laica, porque é que havemos de a impedir de ter uma maioria muçulmana, nós também temos no nosso país muçulmanos, os franceses têm cinco milhões”, frisou.
O antigo Presidente da República considerou ainda que “o futuro da Europa é difícil de prever”, mas frisou que “não há nova ordem mundial sem as Nações Unidas”.
António Almeida Santos estará no salão caffé do Casino Figueira no próximo dia 27 de Fevereiro para mais uma tertúlia. Marcelo Rebelo de Sousa, Pacheco Pereira e Ramalho Eanes são alguns dos nomes já confirmados para este fórum de discussão pública.

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Um manancial de conhecimento e amor

Papel dos avós desvalorizado pela sociedade

Um porto de abrigo. Esta é uma das muitas de formas de descrever o papel dos avós na sociedade contemporânea onde impera a falta de tempo, o stress e, em muitos casos, graves lacunas na relação pais-filhos. O amor é relegado para um plano onde o protagonista é a profissão.
A 26 de Julho comemora-se o Dia dos Avós. A data é, contudo, vivida intensamente dia a dia. O reconhecimento nem sempre é um presença.

A palavra “idoso” não é sinónimo de “estorvo”. Antes pelo contrário. Cada vez mais a população sénior tem mostrado que integra um grupo de cidadãos activo, com um computador integrado cujo disco rígido está repleto de conhecimento, sabedoria e memórias mas com muito espaço livre para realizar up-grades. A tecla delete é usada somente para eliminar os maus momentos por que passam algumas crianças nesta vida cada vez mais conturbada.

A origem

Comemora-se o Dia dos Avós em 26 de Julho, dia de Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus Cristo.
Conta a história (num patamar religioso) que no século I antes de Cristo Ana e seu marido Joaquim viviam em Nazaré e não tinham filhos, mas sempre rezavam pedindo que o Senhor lhes enviasse uma criança. Apesar da idade avançada do casal, um anjo do Senhor apareceu e comunicou que Ana estava grávida, e eles tiveram a graça de ter uma menina abençoada a quem baptizaram de Maria. Santa Ana morreu quando a menina tinha apenas três anos. Devido a sua história, Santa Ana é considerada a padroeira das mulheres grávidas e dos que desejam ter filhos.
Maria cresceu a conhecer e amar a Deus e foi por Ele escolhida para ser mãe de seu filho. São Joaquim e Santa Ana são os padroeiros dos avós.

Pais duas vezes

O papel dos avós na família vai muito além dos mimos dados aos netos, e muitas vezes eles são o suporte afectivo e financeiro de pais e filhos. Por isso, se diz que os avós são pais duas vezes.
As avós são também chamadas de “segunda mãe” e muitas vezes estão ao lado e mesmo à frente da educação de seus netos, com sua sabedoria, experiência e com certeza um sentimento maravilhoso de estar a vivenciar os frutos de seu fruto, ou seja, a continuidade das gerações.
Para a Associação Portuguesa das Famílias Numerosas (APFN), hoje em dia, para muitas crianças, são os avós a única referência de estabilidade, afecto, atenção e segurança, que lhes permite crescer, quase incólumes, no meio de toda uma série de factores de risco e ameaças à sua saúde física e mental... num tempo e numa sociedade, dita civilizada em que, paradoxalmente, tanto se exalta, e ao mesmo tempo tanto se despreza, a vida da criança e o tempo de ser criança.
A associação, no seu site, dedica especial atenção ao tema, mencionando que “é com as suas reservas de energia física, com os seus valores morais, o seu espírito de sacrifício e dedicação e, até com as suas (quantas vezes, bem magras) economias, que muitos avós procuram salvar os seus netos da hecatombe que os rodeia, quando, por qualquer razão – mais ou menos culposa – os pais faltam, carecem de apoios, ou falham mesmo no cumprimento das suas primeiríssimas obrigações e responsabilidades. E tudo isto num tempo em que os avós já teriam direito a descansar um pouco mais”.

É urgente revalorizar o papel dos idosos e dos avós

A criação do Dia Nacional dos Avós foi aprovada na Assembleia da República a 22 de Maio de 2003 por iniciativa da deputada social-democrata Ana Manso. Na altura, a deputada referiu, com base em dados do Instituto Nacional de Estatística, que a população com mais de 65 anos constitui 16,35 por cento dos portugueses e as pessoas com idades compreendidas entre 50 e 60 anos rondam os 24 por cento.
Fernando Micael Pereira, professor da Universidade Católica Portuguesa e especialista em Ciências Sociais, refere à Agência Ecclesia que a “redescoberta” do papel dos avós tem a ver “com uma maior ligação entre as gerações na família, agora com menos elementos”.
Um estudo comparativo das Políticas Familiares na Europa dos 15 entre 1990-2004 revelou que Portugal é um dos países da União Europeia onde as famílias monoparentais mais trabalham a tempo inteiro, pelo que os chamados serviços informais de guarda, a família, os avós, são os mais usados.
Micael Pereira destaca que essa missão na família “deve completar a função dos pais, sem a substituir”, considerando que os avós são “um factor de segurança, de estabilidade”, numa altura em que os laços familiares são “precários”.

Contra a infantilização

Micael Pereira alerta para a necessidade de não se confundir “o papel dos avós com o dos idosos na sociedade”.
“Choca-me que se confunda pessoa idosa com avô, reduzindo-o a uma figura bonacheirona, apatetada, boa para o lazer, para o ‘faz de conta’, que batem palmas e mandam beijinhos”, afirma.
Contra esta “infantilização” do papel dos mais velhos, Micael Pereira sublinha que “é urgente nós percebermos que precisamos dos mais velhos como gente responsável e activa (...). Julgo que se está a usar a abusar desta ideia de que uma pessoa mais velha é o avôzinho dos outros, quase como o ‘tio’ das aldeias”, aponta.

Unidos pelo mesmo motivo

Podem ser letrados, cultos, educados, analfabetos, mais ou menos novos, com maiores ou menores posses financeiras, mas (quase) todos encontram-se unidos por um mesmo móbil: o amor incondicional.
Fátima Barbiery é do Porto. O neto Henrique mora na Figueira. Sempre que pode des-ce o país para visitar “o meu pequenino”, como carinhosamente o chama enquanto o envolve num abraço que encurta distâncias físicas. O tempo que passa com ele é de qualidade e parece “passar sempre a correr”. Entre beijos e abraços, o pequeno Henrique não dá descanso à avó que responde incondicionalmente a todos os apelos. Em Buarcos, o neto puxa-a para uma ida ao parque infantil. Lá, outros avós desdobram-se em brincadeiras com os netos. “São o melhor do mundo”, pode ler-se nos seus olhares enquanto os esperam no final de descida pelo escorrega. “Vai com cuidado”, adverte a avó Fátima atenta às peripécias do pequenote.
É o amor de avó na mais pura expressão.

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À conversa com Pires de Azevedo

“A Filosofia é para todos”

Cresceu no seio de uma família grande, rodeado de livros, ou não fossem os pais, mais do que professores, verdadeiros educadores.
Começou a dar explicações ainda aluno, para ajudar à economia doméstica.
“Nunca fui aluno que prestasse, mas fui sempre um razoável estudante”, garante, olhando para trás dos seus 83 anos.

Avesso a definições

Leitor compulsivo de obras dos mais diversos géneros, fez da biblioteca familiar o seu local de eleição para saciar a sua fome de saber.
Leu, “sem método”, Júlio Diniz, Camilo, Eça de Queirós, Teixeira de Queirós, Júlio Verne, Victor Hugo, livros pedagógicos, livros históricos. Fazia apontamentos, retinha noções, e percebia que não havia definições, porque estas pressuporiam o fim de um conceito, e estes nunca estão terminados.
Da infância, recorda uma família “bem-disposta, apesar das crises financeiras, que não são, como se possa pensar, exclusivas dos tempos modernos”. Portugal vivia então tempos sombrios, mas foi à luz rarefeita de uma ditadura que o espírito crítico de Pires de Azevedo, e dos seus seis irmãos, se desenvolveu.

Memórias, muitas

Licenciou-se em Histórico-Filosóficas em Coimbra, cumprindo as obrigações militares durante as férias de Verão.
Conheceu a mulher durante o curso, como colega, e é ainda hoje como companheira de todas as guerras que Adelaide Ribeiro continua a seu lado, depois de uma vida dedicada ao ensino e de 56 anos de um casamento à prova de todas as vicissitudes.
Leccionaram ambos em Coimbra, até virem para a Figueira da Foz em 1958, onde o Colégio de Santa Catarina esperava por eles para 17 anos de ensino particular pautado pelo respeito à ciência, aos valores e à educação encarada como multidisciplinar, muito antes de estes termos entrarem no léxico comum dos estabelecimentos de ensino. 

Filosofia – do ensino à vida

“A filosofia é de todos”, sintetiza o ainda, e sempre, professor. “Os compêndios servem para racionalizar o que pensamos, nada mais”, prossegue Pires de Azevedo.
“A maioria dos mestres tem tendência para dar à disciplina uma certa solenidade e complexidade… eu esforço-me o mais possível por torná-la acessível”, explica, citando a propósito a obra do padre Manuel Bernardes, oratoriano do século XVII e um dos maiores poetas do seu tempo, “Pão partido em pequenos”. Pires de Azevedo defende, assim, que a complexidade da filosofia seja, pelo mestre, tornada tão simples quanto o necessário para a sua compreensão pelos alunos. “Deve ser esse o ideal do professor: desdobrar a dificuldade em tantos bocadinhos quantos os necessários para que o discípulo tome um bocadinho e o mastigue, saboreie e digira, passando depois ao seguinte, e ao outro e ao outro”, ilustra, concluindo que “isto, em qualquer discípulo tem um prémio, o maior que um professor pode receber: o aluno acaba por ultrapassar o mestre”.

«Inter esse»

Para falar de filosofia, o professor parte da expressão latina que deu origem à palavra portuguesa “interesse”: inter esse. “Ser/estar entre. É isto que nos define, porque somos seres entre outros. De um lado está o Eu, do outro o chamado Outro. A natureza físico-química, a geografia, tudo o que nos rodeia são obstáculos, são outros, são o não-Eu. O mundo, o macro-cosmos, será pois o que dificulta a expansão. Mas o Eu não sente assim tanto a opressão. Porquê? Porque é o bicho mais completo da criação, reduz o macro à sua dimensão, ao que consegue ‘aguentar’. São estes os pólos a partir dos quais o Eu, cada Eu, pensa, seja de dentro para fora – do Eu para o mundo –, seja de fora para dentro – do mundo para o Eu,” introduz.
“Temos a capacidade de chegar onde chegam as nossas forças, o que permite a cada um ter o seu universo. Universo, a sua própria e única versão do macro-cosmos, do todo”, sublinha.
“Somos os herdeiros”, afirma, “dentro do nosso universo cabem todos os outros, até onde os alcançamos”. E tudo isto, salienta, com as múltiplas variantes introduzidas pelo facto de cada indivíduo ter não uma, mas muitas, maneiras de ser e de estar, consoante o estatuto e o papel que, a cada momento, assume. “Somos «personas», personagens, máscaras que não deixam de ser verdadeiras, na-quele momento, face àquela circunstância. Por isso é que, às vezes, os monstros que somos nos surpreendem”, afirma, acrescentando que “a característica fundamental do homem é que, tendo consciência, pode alterar o seu papel”. Mas, afinal, onde fica a filosofia no meio de tudo isto?

Um sistema coerente de ideias

“Aquele que consegue estabelecer uma ligação coerente e ininterrupta entre o macro e o micro-cosmos, esse sim, tem um pensamento filosófico, uma visão racional do mundo e de si como parte dele, uma interpretação”, explica, salvaguardando que “mais do que filósofos, o que há são pensadores. O pensador é aquele que reflecte sobre uma parte, mas não sobre o todo”, esclarece. Construir uma filosofia é, assim como “tecer um fio, um rosário, que leve de uma ponta à outra, de forma coerente e sem hiatos”. Viciar este rosário, em qualquer das suas contas, “torna-nos sofistas, no mau sentido”, alerta. Mas construir uma filosofia não é tarefa para todos. É aí que entra o ensino. “Quando supomos entender o pensamento de outros, este deixa de ser do outro, adoptámo-lo e passa a fazer parte de nós”, afirma.

Demasiado ruído

Hoje em dia, porém, a velocidade vertiginosa do mundo leva-nos a perguntar se há tempo para pensar ou para adoptar pensamentos alheios. “Há ruído excessivo, é certo. Mas o homem é naturalmente insatisfeito com o mundo e, por outro lado, o homem é, agora. Vai sendo. E o que vai sendo e o que vai pensando, muitas vezes sem a tal coerência da filosofia – agora pensa assim porque lhe é conveniente, mais logo usa outra linha de raciocínio para justificar outra postura –, é o que enche a vida. Temos a cabeça cheia de pensamentos, vive-mos num mundo que compreendemos pelos pensamentos, independentemente de sermos génios ou mais modestos. Quem nos abre um bocadinho o pensamento para este mundo, é a pobre, a maltratada disciplina de Filosofia. Tão maltratada que os nossos programas baniram-na de alguns programas curriculares…”, lamenta. Ainda assim, acrescenta, “há aqueles que, por conta própria, vão lá”. Porque “a filosofia levanta os obstáculos, desperta questões. Pode falar-se de uma história da filosofia, da filosofia no passado. Mas a reflexão é sempre a mesma, ainda que o progresso possa introduzir novos dados nessa reflexão”, admite.
 
Matéria-prima sem fim: o homem

“Há muitas maneiras de ver a mesma coisa. É por isso que a matéria-prima da filosofia não acaba. Os progressos técnico, científico e material são notórios, processam-se a uma velocidade incrível. Mas os problemas, os nossos problemas, são os mesmos de sempre. Aquele «bicho» que matava para sobreviver continua a fazê-lo, a própria guerra tem evoluído”, constata. Mas, se a filosofia é tão inerente ao homem, o que justifica o seu afastamento do quotidiano, nomeadamente escolar?

Filosofia desde a infância

De regresso à temática de uma suposta complexidade da filosofia, que a torna inacessível ao comum dos mortais, Pires de Azevedo contrapõe a presença da filosofia em todos os saberes. “Os homens das ciências ditas exactas também são em certa medida filósofos. A filosofia tem um tema (objecto), um método (rumo) e tende, como qualquer ciência, a gerar resultados, teóricos e/ou práticos. Assim, a filosofia é o substracto de todas as ciências. Quando o homem de ciência adopta um método, quando se debruça sobre um tema, quando chega a um resultado… é o espírito filosófico que está subjacente à organização deste esquema”, clarifica. Mas também o mais rústico dos homens pode ser sapiente, ter a sua própria sabedoria, “ter, na sua simplicidade, uma sensatez que faz dele um homem cobiçado, que se impõe no seu meio”, aduz o professor, para concluir que “a filosofia não é de eleitos”.
Pires de Azevedo não concorda com a filosofia como disciplina de opção, mas também não se daria por contente com a sua mera introdução em todos os currículos. “A filosofia como disciplina é um campo de treinos para o pensamento”, advoga, mas o pensamento filosófico devia fazer parte de todas as disciplinas, desde o início da escolaridade, quando não em casa. “A filosofia é o despertar e o desenvolver do espírito crítico, e todo o professor preparado está, em princípio, apto a filosofar, a conversar com os seus alunos sobre a ‘sua’ matéria, e a aceitar deles respostas livres, desde que coerentes e fundamentadas”, prossegue, para concluir que, assim, a introdução da filosofia como disciplina, poderia ser feita cedo, fomentando em todos o espírito crítico, o método e a coerência que, apesar de todos os ruídos, ainda são os pilares do que distingue o homem dos demais seres vivos.

Andreia Gouveia

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Santana Lopes, Duarte Silva e Pereira Coelho homenageados

Moinhos da Gândara lança livro com história de um passado recente

A freguesia de Moinhos da Gândara pretende homenagear Pedro Santana Lopes, António Baptista Duarte Silva e Paulo Pereira Coelho pelo seu desempenho no processo de criação daquela freguesia, nascida a 20 de Junho de 1997.
O livro “Moinhos da Gândara” traz a público toda a história do processo. A receita gerada com esta publicação reverterá a favor de uma obra de cariz social de Moinhos da Gândara.
Dar a conhecer o passado, perceber o presente e perspectivar o futuro são os motivos que estiveram por detrás da publicação do livro “Moinhos da Gândara”. No passado domingo Paulo Rodrigues apresentou publicamente o registo histórico escrito do processo de criação da freguesia de Moinhos da Gândara, aprovada em Assembleia da República a 20 de Junho de 1997. Orçado em cerca de 4.500 euros, a obra é da responsabilidade da Junta de Freguesia, contando com o apoio de empresas locais. “Este é um livro simples mas de enorme importância para esta freguesia”, disse o mais jovem presidente de Junta do concelho da Figueira da Foz. Paulo Rodrigues aludiu ainda ao facto do governo ponderar “encerrar” algumas freguesias com poucos habitantes. Para o autarca, “isto é impensável para nós. E se a proposta vier, seremos totalmente contra o desaparecimento de Moinhos da Gândara”.
Palavras que tiveram receptividade em Duarte Silva. O presidente da Câmara da Figueira, ao reportar-se à “intenção do governo em rever espaços autárquicos”, peremptoriamente afirmou que “estamos em crer que isso não vai aqui acontecer. Houve no passado um importante desdobramento e não iremos aceitar um regresso”. Na sua opinião, o surgimento desta freguesia vem precisamente ao encontro da filosofia de “aproximar o cidadão  do poder de decisão responsabilizando os níveis autárquicos pelo progresso e melhoria da qualidade de vida dos cidadãos”.
O livro, diz Duarte Silva, “é um contributo para o reforço da identificação dos lugares e das pessoas, permite-nos conhecer o passado, as nossa raízes e preparar o futuro”.
Albano Lé, o primeiro presidente daquela Junta de Freguesia, enaltece a obra que “recorda os primeiros oito anos de Moinhos da Gândara”. Por proposta sua, caso o actual executivo autárquico concorde, Pedro Santana Lopes, Duarte Silva e Paulo Pereira Coelho serão distinguidos como cidadãos honorários de Moinhos da Gândara pelo papel que desempenharam, junto do poder central, no processo de criação desta freguesia.

Livro apoia acção social

O livro “Moinhos da Gândara” tem uma primeira edição de mil exemplares, conta com pesquisa bibliográfica, texto e composição de Alda Ferreira, Célia Oliveira, Eduardo Rodrigues (arranjo gráfico) e Paulo Rodrigues.
Em 72 páginas, o livro contém muitas imagens de um passado distante mas também próximo, recortes de jornais, documentos e textos variados. A gandaresa e o gandarês, os moinhos, os trajes, as tradições (matança de porco, ajuntias, idas à praia, religião), os mais importantes projectos infraestruturais dos primeiros oito anos da freguesia e o meio associativo são apenas alguns dos temas encontrados nesta obra.
Paulo Rodrigues e o seu executivo decidiu não colocar o livro à venda nos moldes tradicionais. Optou-se por outro modelo: o livro será oferecido à população local que dará uma contrapartida financeira, à sua escolha mas obedecendo a um mínimo. O valor apurado reverterá para uma obra de cariz social e solidária de Moinhos da Gândara. “Julgamos ser este o caminho mais correcto a percorrer, ou seja, trabalhar em prol das nossas gentes, dos que mais precisam de ajuda”, disse o autarca Paulo Rodrigues.

Jorge Lemos

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