O Figueirense
 
 
Jovens aprendem a fazer bombas pela Internet
 
Elementos básicos como ácido clorídrico e alumínio são a base das bombas caseiras que jovens da Covilhã e Figueira da Foz produziram com conhecimentos obtidos na Internet, disse hoje à Lusa uma fonte da Polícia Judiciária.
A mistura daquele ácido com folha de alumínio num recipiente fechado produz uma reacção química explosiva que espalha fragmentos vários metros em redor, designadamente resquícios do ácido susceptíveis de causar ferimentos graves nas pessoas.
O composto "demora algum tempo a reagir", mas causa "uma explosão bastante violenta", explicou a mesma fonte da PJ.
Esta polícia anunciou hoje ter identificado seis jovens suspeitos de terem produzido e feito explodir dois daqueles engenhos, esclarecendo que os incidentes não têm qualquer relação entre si além do facto de terem sido protagonizados por adolescentes que fabricaram as pequenas bombas aplicando conhecimentos obtidos na Internet.
No caso da Covilhã, registado numa escola em Outubro de 2006, a bomba foi colocada por dois alunos, de 16 e 17 anos, num contentor do lixo, e deflagrou alguns minutos depois.
O estampido causou problemas de audição a uma colega que acabara de se sentar num banco do recreio, que teve de receber tratamento no Hospital da Covilhã e, de seguida, nos Hospitais da Universidade de Coimbra.
No dia 30 de Junho, num bairro residencial da freguesia de Tavarede, na Figueira da Foz, quatro jovens - dois com 15 anos e o restantes com 16 e 17 - que estavam dentro de uma habitação lançaram pela janela uma bomba idêntica.
Uma jovem, vizinha do grupo, foi surpreendida pelo rebentamento quando "ia a passar acidentalmente na rua", mas não ficou ferida, disse a fonte policial.
"Quem lançou o engenho não estava a ver a pessoa", acrescentou.
Segundo a fonte da PJ, a Directoria de Coimbra registou nos últimos três anos, na Região Centro, uma dezena de situações semelhantes, incluindo as duas hoje divulgadas, envolvendo jovens que aprendem a fabricar os engenhos através da Internet.
"Algumas estão ainda a ser investigadas e outras não provocaram perigo", adiantou, indicando que os casos da Covilhã e Figueira da Foz "revelam já alguma gravidade".
Os quatro suspeitos maiores de 16 anos aguardam o desenvolvimento dos processos sujeitos ao termo de identidade e residência, sendo os restantes considerados inimputáveis.
Os processos foram remetidos aos tribunais da Figueira da Foz e da Covilhã, nos distritos de Coimbra e Castelo Branco, respectivamente.
30-04-2007
 
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