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Crónicas
Cont(r)a Corrente
Porque é Natal…
Não vou usar do habitual sarcasmo, tão pouco de ironia cáustica, nem sequer do humor leve, eu garanto, afinal… é Natal!
Porque é Natal, não vou dizer que estes são tempos em que os, até há pouco tão louvados, gestores de fortunas, gestores de títulos, gestores bancários, administradores vários de variadas carteiras, foram arrastados com a crise e postas a nu as suas práticas – eles não geriam, eles especulavam, eles “gamavam”!
Porque é Natal não vou dizer que vão ser os não culpados – os contribuintes – que vão pagar a ganância de uns, os desmandos de tais gestores e o “gamanço” referido.
Porque é Natal não vou dizer que, compreendendo que tudo deve ser feito para garantir a estabilidade e confiança no sistema bancário, entendo porém que o Governo devia ter deixado cair o BPP, até como exemplo, seja para os especuladores e gananciosos, seja para o comum do contribuinte, que assim via que os seus impostos salvavam o sistema bancário, não as fortunas dos especuladores.
Porque é Natal, não vou dizer que as eleições directas no CDS evidenciaram que este é cada vez mais, unicamente, o partido de Paulo Portas e, sendo-o, deixa de ser um partido, para ser o grupo dos amigos de Portas.
Porque é Natal não vou dizer que o Bloco de Esquerda dá tudo, mas tudo – até com renúncia à sua denominação! – para que Manuel Alegre dê corpo a um movimento e/ou partido.
Porque é Natal não vou dizer que no seio do PSD figueirense se fazem, desfazem e refazem as mais estranhas alianças internas, o que me terá sido sugerido pelo regresso de Paulo Pereira Coelho…
Porque é Natal não vou dizer que, não obstante aquelas disputas internas e a consequente ineficácia da acção externa dos sociais-democratas, a verdade é que a oposição socialista figueirense se não vê, se não sente, nem pressente.
Porque é Natal vou dizer, isso sim,
Bom Natal!
Joaquim Gil - Advogado
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A Cidade e a Serra
Os doentes e os Natais
Vimos dos tempos em que a transmissão do Natal dos Hospitais na RTP (na altura ainda existia um só canal) constituía um facto social, pois era a oportunidade de se conhecerem uns tantos artistas debutantes e delirar-se com as estrelas que nesse dia “faziam o frete” de deixar o Parque Mayer, para que os seus nomes “voassem” pelas províncias, onde mais tarde fariam a cobrança da sua popularidade, através das “tournées”
Com transmissão a partir de uma unidade hospitalar, a RTP, com um paternalismo de acordo com o cinzentismo das suas cores, entre a apresentação das cantigas ou a representação de uma ou outra rábula revisteira, lá ia, pudicamente, mostrando os doentes que tinham sido seleccionados para aparecerem no pequeno ecrã.
Como é sabido, com o aparecimento de novos canais e com a alteração dos formatos, o Natal dos Hospitais perdeu toda a sua solenidade e respeitabilidade, sendo agora, nas suas diferentes versões, apenas mais um programa de entretenimento. Poderá até dizer-se que já não se justifica aquele tipo de transmissão porque agora, quem está doente são os telespectadores.
E, de facto, bem vistas as coisas essa doença tende a ganhar contornos de epidemia, porque os “ares gélidos” que sopram de fora vão transformar em pneumonia o que antes podia ser apenas um resfriado. Isto acontece porque a saúde física e moral da nação está tão debilitada que o seu tratamento já não se compraz com “papas de linhaça”.
É no entanto com “papas e bolos” que se vai enganando o Zé Povinho que não pode lutar com o poderio das corporações (leia-se classes dependentes dos dinheiros públicos) que neste final de ano ameaçam com novas incursões, em nome da “dignificação” do seu estatuto pessoal.
Mas como se isto não bastasse, até a Assembleia da República, com o “zelo absentista” de alguns deputados, veio pôr a nu uma situação que tem tanto de deplorável como de insustentável.
Naturalmente que com as suas “gazetas” em fins-de-semana, os senhores deputados expuseram-se às críticas, mas não poderão queixar-se até porque eles têm a obrigação de saber que “quem quer um acto também tem de querer as suas consequências”.
Por isso, pouco ou nada poderão ripostar, quando o político (na reserva) José Pacheco Pereira classifica os deputados como pessoas que, na sua maioria, “vão da província” apenas para ganharem bem e estarem perto do poder (sinecuras), pois “não têm nenhum interesse pela causa pública”.Mais: para Pacheco Pereira aquelas pessoas tanto estão ali “como noutro lugar qualquer desde que lhes dêem as mesmas regalias”, considerando, por isso, que a Assembleia da República “expressa a degradação dos partidos”.
Por sua vez, o sociólogo António Barreto escreveu que o Parlamento português serve apenas para “completar a maquinaria democrática” e raros são os seus membros que “falam normalmente” e expõem os seus pensamentos “com argumentos racionais”, mas mais raros são ainda “os que mostram sinais exteriores de pensarem quando falam”. Por tudo isto, considera António Barreto que “Este Parlamento não é uma metáfora: é o retrato exacto e verdadeiro da democracia que temos”.
Ainda que seja de ter em consideração o pensamento dos autores citados, somos dos que também entendem que não deve ser feita a diabolização dos membros da Assembleia da República, porque naquele conjunto há deputados com inegável valia. No entanto, há que também dizê-lo, eles são uma minoria, porque os restantes ou vão para lá ressonar ou limitam-se a exercícios de ginástica na altura das votações. Mas a culpa será só deles e dos partidos? Julgamos que não, pois também não vemos os eleitores pedir responsabilidades aos eleitos. Limitam-se em cada acto eleitoral a colocar o voto nas urnas, esquecendo-se do que ele pode representar.
Seja como for, certo é que um estudo recentemente efectuado, mostra que rondam apenas os 20% os eleitores que se sentem devidamente representados na Assembleia da República.
E por ser Natal, não vamos falar dos “espectáculos” da Assembleia Regional da Madeira, optando por citar um poeta açoriano, Cristóvão de Aguiar”, que um dia disse num poema esta quadra: “é tempo de entendimento entre homens e bichos/ Com as mãos cheias de sentimentos esdrúxulos”.
* Jornalista
A. Ventura - Jornalista
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O associativismo e a crise
Numa altura em que a crise é tema constante na sociedade em geral, pareceu-me uma boa altura para divagar sobre o tema no âmbito do associativismo.
As associações têm um papel importante no desenvolvimento social local, quer ao nível desportivo quer cultural, criando espaços de partilha e aprendizagem para todos. À frente destas associações estão dirigentes, maioritariamente a título voluntário, que tudo fazem para que a sua associação trace objectivos dignos e que esses sejam cumpridos.
É cada vez mais difícil encontrar pessoas disponíveis para este tipo de actividades. Dependendo da dimensão do clube ou associação este tipo de voluntariado acarreta grandes responsabilidades, podendo mesmo chegar ao ponto de igualar a gestão de uma empresa.
Não sei se será o reflexo da crise financeira ou se de uma crise de valores, ou de ambas. Por um lado, com a crise financeira, os clubes e associações cada vez têm mais dificuldades em conseguir verbas, quer estatais quer privadas, o que complica o trabalho das pessoas responsáveis por estas instituições, logo torna-se ainda mais problemático cativar pessoas para estas funções.
Por outro lado, parece-me que cada vez mais as pessoas não estão disponíveis para trabalhar a custo zero e que estamos a transformar-nos numa sociedade bastante egoísta, onde as pessoas vivem cada um por si. No entanto, quando é para criticar todos têm uma opinião e sabem sempre como seria melhor. Mas, palavras levam-nas o vento e quando é preciso trabalhar activamente tudo se complica!
A nível directivo não está fácil, mas nem tudo são dificuldades e este ano no Ginásio conseguimos um grupo grande de Seccionistas que mostram que com vontade tudo se alcança. Para minha surpresa, no dia de tomada de posse dos mesmos, a sala quase não chegou para tanta gente. São um grupo de pais e amigos deveras importantes para a dinâmica do clube, que demonstram que nem tudo está perdido.
Rute Costa - Bióloga e dirigente desportiva
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