Director:  
17/07/2009  
Ano 91º  
Edição N.º 5621  
O Figueirense
 
  Cultura

José Eduardo Agualusa na Figueira com “Barroco Tropical”


"Barroco Tropical", o último livro de José Eduardo Agualusa, será apresentado no próximo dia 23 de Julho às 18h30 no Casino Figueira.
Inicialmente prevista para ontem, a iniciativa trará ao conhecimento dos figueirenses, na próxima quarta-feira, um dos mais afamados escritores de língua portuguesa da actualidade, autor de diversos livros e detentor, entre outros, do Prémio Revelação Sonangol (1988), do Grande Prémio de Literatura RTP, do Grande Prémio de Conto da APE, do Prémio Nacional de Ilustração e do Grande Prémio de Literatura para Crianças da Fundação Calouste Gulbenkian. Com as suas obras traduzidas para diversas línguas europeias, José Eduardo Agualusa recebeu ainda, pelo romance "O Vendedor de Passados", o Prémio Independent para Ficção Estrangeira.
Em “Barroco Tropical”, editado pela Dom Quixote, Agualusa retrata um futuro próximo de Luanda, mais precisamente no ano de 2020, num romance passado num tempo mais à frente, que lhe permite olhar o presente de uma forma diferente. Quanto ao título, Agualusa adoptou-o da expressão do poeta moçambicano Virgílio de Lemos, que define a nova ficção africana em língua portuguesa como «barroca tropical».
José Eduardo Agualusa nasceu na cidade do Huambo, em Angola, a 13 de Dezembro de 1960, e estudou Agronomia e Silvicultura em Lisboa. Vive entre Lisboa e Luanda, mas na próxima quinta-feira é no Casino Figueira que os seus leitores e admiradores o podem encontrar. A entrada é livre.


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Agrupamento de Escolas de Buarcos distinguiu melhores alunos


Na cerimónia pública de entrega de prémios aos melhores alunos do Agrupamento de Escolas de Buarcos (com sede na Escola Infante D. Pedro, em Buarcos), realizada esta quarta-feira, dia 15 de Julho, foram atribuídos 58 prémios, mais diplomas, a dezenas de alunos, incluindo crianças das oito escolas do 1.º ciclo deste agrupamento. Reconhecer o mérito e valorizar o esforço foram as palavras de ordem numa sala onde o orgulho e a satisfação eram visíveis.

Com a sala repleta de familiares dos alunos, o Agrupamento começou por distinguir os três melhores alunos de cada ano de escolaridade, num total de 15 prémios patrocinados pela Junta de Freguesia de Buarcos. Assim, no 5.º ano, foram premiados Mónica Inês Viana Abreu, Cristóvão Rodrigues Maia e Inês Filipa Marques Cavaleiro; no 6.º ano, foram distinguidos os alunos Tiago José Charana, Joana Sousa Barbosa e Joana Martins Agostinho; no 7.º ano, João Miguel Roso Miravall, Adriana Pires Vala e Catarina Santos Moura; no 8.º ano, André Micael Ferreira, Frederico Mendes e Pena e Luís André Silva; e no 9.º ano Vera Rosete, Vanessa Filipa Correia e Patrícia Jesus Santos.
Seguiram-se os prémios para o melhor aluno de cada ano de escolaridade, num total de cinco prémios patrocinados pela Caixa Geral de Depósitos - balcão de Buarcos - que foram atribuídos a Mónica Inês Viana Abreu; Tiago José Charana; João Miguel Roso Miravall; André Micael Ferreira e Vera Rosete.
Os prémios para os melhores alunos de Matemática e de Português do 9.º ano (patrocinados pelo Grupo Portucel/Soporcel) foram ambos entregues à aluna Vanessa Sofia Seco Machado, enquanto o prémio para o melhor aluno de Educação Visual do 9º ano (com o patrocínio da pela Magenta - Associação de Artistas pela Arte) distinguiu a aluna Patrícia Jesus Santos. O prémio para o melhor aluno de História do 9º ano (prémio patrocinado pelo Casino da Figueira) foi atribuído à aluna Vanessa Sofia Seco Machado, e o prémio para o melhor aluno de Língua Inglesa do 9.º ano (também patrocinado pelo Casino da Figueira), à aluna Vera Maria Lopes Rosete. O prémio de mérito "Infante D. Pedro" (prémio patrocinado pela Câmara Municipal da Figueira da Foz) distinguiu novamente a aluna Patrícia Jesus Santos.
Ainda entregues foram os prémios para os melhores leitores da Biblioteca da Escola (seis prémios patrocinados pela Porto Editora), a Vira Kamiuska, Soraia Curado Cabeço, Ana Sofia F. Pombal, Ana Carolina Simões, Frederico Mendes e Pena, e Nelson Miguel Mendes Gil.
Finalmente, os prémios para o melhor aluno de cada turma (patrocinados pela Associação de Pais) foram entregues a Inês Cavaleiro, Tiago Delgadinho, Mónica Inês Viana Abreu, Cristóvão Maia, João Fonseca, João Pedro Branco, Tiago José Charana, Marcos Cachulo, João Miguel Roso Miravall, Catarina Moura, Frederico Pena, Joana Sanches, André Micael Ferreira, Vanessa Sofia Seco Machado e Vera Maria Lopes Rosete.

Outros prémios e o prémio maior
O Prémio Fotogénio, patrocinado pelos professores de Matemática e subordinado ao tema "A Matemática na Natureza", distinguiu, no 2.º Ciclo, Marcos Cachulo. Já no 3.º Ciclo o Prémio Fotogénio, sobre "Isometria" e com o patrocínio da Escola Infante D. Pedro, foi para a aluna Bruna Margato. A tarde foi também de alegria para os melhores alunos do 4.º ano do 1.º Ciclo deste Agrupamento. Da E.B1 do Castelo foi distinguida a aluna Inês Santiago Silva Nicolau; na E.B1 da Chã, Andreia Sofia Mariano Gonçalves; na E.B.1 de Lares, Ana Beatriz Duque Fernandes; na E.B.1 da Serra da Boa Viagem, Alexandre Marques Moreira; na E.B.1 do Serrado, Tiago Vidas Alvim; na E.B.1 de Tavarede, Miguel Ferreira Gaspar; na E.B.1 dos Vais, Sofia da Silva Salas, e na E.B.1 de Vila Verde, José Miguel Oliveira Portulez.
No último acto oficial como presidente do conselho executivo, e na véspera de ser empossado Director do Agrupamento de Buarcos, Pedro Mota Curto divulgou, com agrado, os 91,4% de sucesso dos alunos daquela Escola nos exames nacionais de 9.º ano a Língua Portuguesa (contra os 72% a nível nacional), e os 80% de sucesso nos exames de Matemática (contra 66% no país). Pelos prémios, e pelos resultados nos exames, a Vereadora da Educação felicitou alunos, pais e professores.



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“Deixem Passar o Homem Invisível” é uma mensagem de esperança



“Deixem passar o homem invisível”, o mais recente romance de Rui Cardoso Martins, apresentado no Casino Figueira, é na opinião do autor “um livro de esperança”.
A obra retrata uma descida ao rio dos infernos onde, apesar do somatório de tragédias, a própria vida se encarrega de arranjar um caminho, uma forma, de triunfar.
A mensagem é simples: “a vida triunfa”.

“Deixem Passar o Homem Invisível” – editado pela Dom Quixote – é o segundo romance de Rui Cardoso Martins, de 42 anos. Repórter internacional e cronista desde a fundação do Público (dois prémios Gazeta de Jornalismo), fundador de Produções Fictícias (co-criador e autor de Contra-Informação e Herman Enciclopédia, entre outros programas) Rui Cardoso Martins foi ainda, no cinema, o autor do guião de Zona J e co-autor da longa-metragem “Duas Mulheres”, tendo contos editados em diversas revistas literárias. O seu primeiro romance, também com a chancela da Dom Quixote, foi “E se eu gostasse muito de morrer”, já traduzido em espanhol e húngaro, e que vai já na 4.ª edição.
“Deixem passar o homem invisível” é dedicado à mulher, a jornalista e editora da Dom Quixote, Tereza Coelho, falecida a 17 de Janeiro deste ano, e aos filhos de ambos, Henrique e Sara. Recorde-se que Tereza Coelho viveu a sua adolescência e juventude na Figueira da Foz, onde ainda vivem os seus pais, o procurador jubilado Jorge Tocha Coelho e a professora aposentada do Ensino Secundário, Rosa Maria Azevedo Coelho.

“A vida triunfa”
Em linhas gerais, o romance fala de um cego que durante uma enxurrada em Lisboa cai numa caixa de esgoto aberta, situada junto à igreja de S. Sebastião da Pedreira. Na mesma altura, um escuteiro que regressava de uma actividade na mesma igreja é também arrastado para o mesmo esgoto.
A obra é a viagem de ambos, através de uma Lisboa subterrânea, enquanto cá fora são tomadas todas as medidas para os salvarem. Mas é também a entreajuda, a cumplicidade entre o cego e a criança, naquela terrível aventura.
Pelo meio, as histórias de um ilusionista – Serip de nome artístico, na realidade Pires ao contrário –, as recordações do homem cego do tempo antes de aquilo acontecer, a história de um camaleão que não acertava com a cor, e tantas outras que tornam a leitura deste livro extremamente aliciante.
No Casino Figueira o autor considerou que “Deixem passar o homem invisível” é, apesar da primeira sensação de um escrito pessimista, “um livro de esperança. Entre tragédias contam-se episódios de vida. Apesar de tudo, a vida triunfa, arranja uma maneira de triunfar”. Ao longo das páginas, disse, “o leitor é transportado a uma luta com o mal onde pontuam os amigos e a nossa força para sermos felizes”.
Num registo mais pessoal, Cardoso Martins disse acreditar que o mundo que nos rodeia, o físico mas também o humano, é plenamente incorporado pelos nossos pensamentos que, por si só, são já um tipo de acção.
“Deus não é uma pessoa que me interesse”, afirmou o escritor para quem não faz sentido uma ligação divinal que leva o mero humano a acreditar em algo que não chega a acontecer. Um caminho, um projecto de vida que, nalguns casos, se desmorona deitando por terra quaisquer tipo de aspirações. “Não acredito em Deus, mas respeito a ideia de acreditar na possibilidade de um milagre”.


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“Em Portugal, mais do que mensagem, há muita massagem”


João Gonçalves na apresentação, no Casino Figueira, do livro “Portugal dos Pequeninos”

Não gosta de Miguel Torga mas gosta da Figueira da Foz, onde tinha por hábito vir por ocasião do Festival de Cinema Internacional, cuja extinção lamenta, num tom de resignação a um “país periférico”, que não vê além de Lisboa.
É assim João Gonçalves, o autor de “Portugal dos Pequeninos” – o livro e o blogue – que esta quinta-feira esteve no Casino Figueira para, numa parceria com a Casa Havanesa, apresentar o livro editado pela Bertrand.

“Portugal dos Pequeninos” – o livro - é o resultado de uma selecção dos textos publicados no “Portugal dos Pequeninos” – o blogue.
Criado há seis anos, o critério temporal que norteia o livro foi ditado pela maioria absoluta socialista, num mandato que João Gonçalves considera ser “mais o de uma determinada pessoa do que o do Partido Socialista que os seus fundadores criaram”. Mas, num tom que mistura amiúde “ironia e amargura”, João Gonçalves aborda muitos outros temas que lhe são caros, como a escolha do actual Papa.
O autor diz-se realista, mas admite ser pessimista, no conceito de um provérbio russo que diz, em tradução livre, que “um pessimista é um optimista bem informado”.
O nome “Portugal dos Pequeninos” foi explicado pelo autor. “Vivemos há 35 anos num regime chamado democracia, mas ainda há muito para fazer”, afirmou, considerando Portugal “um país periférico e macrocéfalo, que fora de Lisboa morre um pouco, o que é injusto cultural e socialmente”. Garantindo não estar a fazer conversa de circunstância, João Gonçalves afirmou que “o que se tem vindo a passar neste Casino, a nível cultural, é um exemplo de que há um país que os macrocéfalos de Lisboa desconhecem”.
“Lisboeta militante”, João Gonçalves contesta no entanto “essa mania de só se poder debater o país a partir de Lisboa, e de dois ou três canais de televisão, por duas ou três pessoas que saltitam entre esses canais”. À plateia que marcou presença no Casino Figueira para privar com o conhecido bloguista, João Gonçalves apelou: “Esqueçam o país que vos chega pela televisão… esse é um país «mentido», para utilizar a expressão de um poeta português, e que só existe na cabeça dos políticos… e é dos poucos que têm cabeça”.
No blogue, João Gonçalves encontrou o meio de passar o que lhe interessa: “a mensagem”. Avesso a redes sociais como o Facebook, ou a meios de comunicação imediatistas, como o Twitter, o autor rendeu-se à blogosfera, onde – apesar de tudo – a mensagem permanece. “Em Portugal, mais do que mensagem, há muita massagem”, ironizou, crítico da “invasão do futebol”, da “pouca originalidade” dominante e de “uma espécie de língua de pau muito maçadora e absolutamente inútil para a maioria das pessoas”, mas com que estas parecem “viver bem”, a julgar pela “abstenção no último acto eleitoral”, que não acredita que se altere significativamente nos próximos. “Nos últimos quatro anos há como que uma anestesia cívica”, lamentou, afirmando que “o país está num momento paradoxal, e a precisar urgentemente de reflexão”. Dando a cobertura mediática da transferência de Cristiano Ronaldo e a morte de Michael Jackson como exemplos da “infantilização da vida pública nacional, ao fim de 35 anos de democracia”, João Gonçalves não arrisca dizer que o país “estava melhor há 20 e tal anos, porque o decurso do tempo traz coisas boas e más”, mas questiona se as pessoas estão, hoje, “melhor do que em 2005”. E, à pergunta da plateia, sobre como se altera o estado de coisas, João Gonçalves não teve dúvidas: “votando”. Para o autor, o voto “é o que a democracia nos permite” e, “ainda que não goste do regime”, que considera “o regime da contingência” e “nebuloso por natureza”, João Gonçalves não acredita nem em novos partidos nem em plataformas. “Não sou basista”, admitiu, garantindo que o blogue, apesar da sua “maledicência”, se esgota nele mesmo.
Mas nem só da política é a culpa das reduzidas dimensões – e não é de território que o autor fala – de Portugal. “Há uma grande falta de qualificação no país”, lamentou, considerando que muitos “estudantes universitários não deixam de ser analfabetos funcionais”, num país em que todos querem ser doutores. “Para mim, doutores são os médicos”, concluiu.


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