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Crónicas
Entre as Caras e os corações, digo, as Políticas!
EDITORIAL
Encerrado o ciclo eleitoral, aí o temos, em funções, o novo Governo, o novo Primeiro-ministro e o novo programa de governo.
Tudo novo, concerteza!
Que de novo Primeiro-ministro se trata, dúvidas já não há: José Sócrates “animal feroz” deu definitivamente (?) lugar a José Sócrates “animal dialogante”.
Que de novo Governo se trata, dúvidas também não restam.
Repare-se como a imagem de marca do novo Governo é hoje Isabel Alçada que, sem dizer nada de novo relativamente ao essencial da política do anterior Governo, é apresentada como o rosto da mudança na Educação.
Ou seja, aí temos a receita experimentada – uma segunda Ana Jorge.
É sabido, e unanimemente reconhecido, que Correia de Campos é a personalidade que mais estudou e mais sabe de saúde no País, mas todos nos lembramos como foi trucidado pelos media enquanto ministro da Saúde.
Mas todos sabemos também como, no dia seguinte à sua demissão e substituição por Ana Jorge, não mais houve partos em ambulâncias, não mais houve bombeiros a dormir em serviço, não mais houve descoordenação entre bombeiros e INEM, não mais houve o menor problema na saúde…
Agora também com Isabel Alçada vão desaparecer, como que por milagre, os problemas na Educação.
Como se um novo rosto, um sorriso agradável, uma imagem afável, fizessem uma nova política!
No caso da Saúde, ontem, como no caso da Educação, hoje, são as corporações e os interesses atingidos que reagem e ajudam a construir a imagem publicada (pelos media).
Já percebemos todos que com a proposta extensão da escolaridade obrigatória até ao 12.º ano, faz cada vez menos sentido avaliar… e também já é perceptível que do actual modelo de avaliação até à proposta (sindical) da auto-avaliação, chegaremos à avaliação ao nível da escola (cada vez mais “pequenas quintas”, cada vez menos um sistema nacional de educação!).
Eis pois como a imagem, o hábito, faz, definitivamente, o monge, uma vez que mudanças ao nível do programa de governação se não vislumbram.
E tanto as não há que já se aponta o casamento homossexual como a medida legislativa que marcará esta governação – aí está, pois, o factor de diversão, de discussão lateral para esconder o essencial, os números do descalabro económico e financeiro do País.
Mas quem vê caras… vê afinal a marca da governação!
* Director
Joaquim Gil (*)
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Análise Económica: Cimeira do G20 e o trade-off entre défice e crescimento
Dos temas que aqueceram a semana e catapultaram novamente as cotações bolsistas para níveis mais altos, estão garantidamente as declarações do presidente do Banco Central, Jean-Claude Trichet e o compromisso dos ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais dos países do G20, em manter as ajudas às suas economias até que a recuperação seja mais segura. Da reunião que juntou de novo em Londres os líderes dos 20 países mais industrializados do mundo e em que a língua portuguesa se faz representar apenas pela participação do Brasil, saiu a promessa de continuar a apoiar a economia mundial. A cimeira do G20 reconheceu a necessidade de assegurar que a estabilidade financeira se encontre num patamar de segurança, antes de retirar de cena as várias medidas de política económica implementadas desde há um ano a esta parte. Os países mais ricos assumiram a eficácia das medidas tomadas e concluíram que as condições económicas e financeiras melhoraram depois da resposta coordenada à crise, mas reconheceram que a recuperação é ainda desigual e dependente do apoio político.
O presidente do Banco Central Europeu juntou a sua voz à de Timothy Geithner, secretário do Tesouro norte-americano e porta-voz do G20. Trichet, que presidiu na Suíça à reunião de presidentes de bancos centrais, afirmou que o processo de retoma do crescimento está agora a começar e por isso é demasiado cedo para retirar as ajudas, já que uma decisão precipitada pode conduzir ao enfraquecimento da economia e do sistema financeiro, com sério impacto ao nível do aumento do desemprego. O agravamento dos défices orçamentais e aumento da falência de empresas são outros dois factores que exigem uma observação atenta. Se pensarmos, por exemplo, que o défice português não deveria exceder os 3% do PIB e que o nível actual ronda os 7%, não será difícil ter uma percepção concreta do problema. Portugal precisa de consolidar o seu défice orçamental, através do corte da despesa ou aumento das receitas. Num cenário de crise como o que vivemos, os lucros das empresas reduziram-se, baixando o nível de impostos pagos, principal fonte de receitas do Orçamento de Estado. Do lado da despesa, os estímulos reais e fiscais dados à economia nacional aumentaram, desequilibrando as contas públicas. Este dilema entre retirar os apoios à economia, baixando a despesa pública, mas correndo o risco de agravar o crescimento do PIB, logo reduzindo a base de incidência de impostos, tem sido o principal desafio dos economistas, agora que a recuperação começa a ser mais visível.
Enquanto os políticos e responsáveis económicos tentam encontrar uma solução para este trade-off – entre agravamento do défice e crescimento das economias – a ONU, num relatório publicado esta semana, estima que a corrupção custe anualmente cerca de um bilião de euros aos governos mundiais, em grande parte devido à lavagem de dinheiro. Ficou chocado? O que dirão os milhões de contribuintes norte-americanos, ao saberem que os bancos Goldman Sachs, Morgan Stanley e JPMorgan, vão pagar 20 mil milhões de euros em bónus este ano? Estas três instituições financeiras, que foram as maiores beneficiárias do programa de ajuda do Governo dos Estados Unidos à banca, vão dar em média a cada um dos seus colaboradores, 175 mil euros em prémios… Crise? Qual crise?
* Economista
Miguel Gomes da Silva (*)
miguelgomesdasilva.bolsa@gmail.com ......................................................................................................
Os nossos Checkpoint Charlies
Comemorou-se esta semana o fim do muro que dividiu uma cidade. No caso em Berlim, que durante vinte e oito anos impôs a absurda separação de gente idêntica, feita de cimento e arame farpado e que simbolizava um meio mundo ao avesso de outro meio mundo. Persistem, ainda hoje, outras barreiras indignas como na Palestina, em Melilla ou na fronteira mexicana. A História tê-las-á sinalizado e, por certo, serão derrubadas um dia destes em nome da paz e dos valores mais essenciais da Humanidade.
Mesmo quando os Sistemas bipolares se degladiavam em guerras conduzidas por interpostos intervenientes, mesmo quando a putativa identidade ideológica justificava o investimento em armas nucleares que destruiriam quinze vezes o planeta, mesmo quando se legitimava o denominado equilíbrio do terror em nome da segurança internacional, havia gente idêntica de cada um dos lados, que chorava e ria, que tinha sentimentos e anseios, que partilhava o mesmo sol e o mesmo ar, que nascia e morria em cada volta do tempo. Esta banal constatação “La palissiana” é, com efeito, o real denominador comum da nossa breve existência humana: o sermos capazes de sobreviver em comum e, preferencialmente, bem, derrubando os nossos muros antagónicos!
A propósito desta premissa, observemos o que se passa na nossa cidade e em particular na Câmara Municipal. Haverá, de facto, barreiras intransponíveis que possam inviabilizar um trabalho comum, preservando as identidades? Não haverá em todas as sensibilidades representadas pessoas com provas dadas e capazes de lutar por um projecto consensual de desenvolvimento? Não são todos gente idêntica com disponibilidade de, generosamente, servir os interesses mais amplos da Figueira? Tenho essa convicção, apesar de não conhecer pessoalmente todos os actuais protagonistas autárquicos. Sei que cidadãos como Carlos Monteiro, Teresa Machado, António Tavares ou Vítor Coelho merecem a minha confiança cívica e deles é lícito esperar empenhamento, dedicação à causa pública e inteligência capaz de contornar os seus próprios “checkpoint charlies”, por uma cidade – a de todos nós – sem absurdas separações.
Pedro Melo Biscaia
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Vamos a isto, meus senhores!
Meus caros Figueirenses. Se relembrarmos um pouco da História da nossa terra, quer-me parecer que estará na hora de a refazermos e de honrarmos os compromissos que temos para com ela.
Na época de Napoleão Bonaparte, na qual se deram as invasões de Portugal pelos exércitos franceses que, com os seus aliados internos foram impondo uma política de terra queimada, foi a Figueira da Foz o local escolhido para concentrar as forças e os meios para a derrota dos invasores.
Foi na Figueira da Foz que se instalou o primeiro Governo Provisório que levou à recuperação do orgulho nacional e ao retorno da Paz e da Justiça no nosso País.
Hoje em dia, com a Globalização Mundial da qual nenhum País se poderá alhear sob risco de sucumbir económica e socialmente, há que acautelar um tipo novo de “invasões”.
Quando os grandes grupos financeiros de hoje se servem do dinheiro que o Zé Povinho lá deposita para esses grupos o jogarem no “Casino” das Bolsas e o transferirem para “paraísos fiscais” instalados no estrangeiro sem qualquer tipo de controle, estamos perante um dos tipos das “novas invasões”.
Quando, sob a capa de obrigações internacionais, nos levam a não produzir o que precisamos para comer, alguém está a servir-se do Poder para nos tornar irremediavelmente dependentes dos outros até para as mais básicas das necessidades humanas. É também um outro tipo de “novas invasões”.
Quando, perante uma crise internacional económica e financeira para a qual o Povo não contribuiu, mas sim os senhores que têm vindo a implementar as políticas que permitiram as “novas invasões” que acima referi, tem sido o Povo a pagar e a cobrir os desmandos dos culpados.
Quando, para se resistir melhor a uma crise internacional como aquela que nos atinge hoje em dia, a única solução de sobrevivência seria a de fomentar o mercado interno, vemo-nos sem produção nacional suficiente para tal e, para piorar a situação, retira-se poder de compra ao Povo e aumenta-se o desemprego, factores que irão contribuir para uma cada vez maior dependência externa e agravamento progressivo da qualidade de vida do Povo em geral. É também um outro tipo de “novas invasões”.
Povo do Concelho da Figueira da Foz. Será que ainda não chega?
Um pouco à imagem de Barak Hussein Obama, penso que a Democracia tem de ser uma arma do Povo e, através do voto, o Povo poderia ter dito:
BASTA! Queremos mudar este estado de coisas.
Mas votar nos mesmos que nos conduziram ao estado em que estamos, não é querer mudar. É querer mais do mesmo.
Votar em branco ou abster-se, também nunca foi solução.
Mas o Povo é soberano e escolheu. Há que aceitar e conviver com isso.
Mas os 3% que me elegeram para a Assembleia Municipal esperam que lá exista uma voz de Esperança e de Vontade contra os desmandos que permitiram as referidas “novas invasões”. Assim será!
Preciso no entanto de que esses 3% me auxiliassem a encontrar e poder propor soluções concretas para os problemas concretos que hoje existem.
Recoloquemos a Figueira da Foz na História, mas pelas boas razões.
Vamos a isto, meus senhores!
João Paulo Tomé
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