Director:  
20/11/2009  
Ano 91º  
Edição N.º 5640  
O Figueirense
 
  Cultura

Um “Encontro” muito especial


O “Encontro” entre Anabela e Carlos Guilherme, com que o Casino Figueira assinalou, com «casa cheia», o São Martinho, na noite do último sábado, foi recheado de momentos de alegria, calor humano, bom humor e ainda melhor disposição.
Da “Cantiga da Rua” a “As Carvoeiras”, sem esquecer o sucesso “Quando o coração chora de amor”, – que Carlos Guilherme convidou Anabela, no palco do Salão Caffé, a regravar brevemente – passando pela música que catapultou a jovem cantora para o sucesso, “Cidade até ser dia”, foram muitos os temas que colocaram os convivas a cantar com os artistas.
Carlos Guilherme mostrou que, tal como o vinho, a sua voz melhora com a idade, e Anabela demonstrou porque é considerada um dos talentos sólidos da sua geração, aliando uma presença jovem a uma sonoridade límpida e forte. O cantor, que disse sentir-se “entre amigos”, contou histórias da sua carreira que fizeram rir a plateia, enquanto Anabela brilhou a dançar e até, durante um solo de Carlos Guilherme, a tocar pratos.
No final, mais do que as castanhas assadas que não podiam deixar de constar na ementa, ficou o gostinho à boa música portuguesa, daquela que se fica a trautear durante o resto da semana.


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“A FILOSOFIA É A RAINHA DE TODAS AS CONVERSAÇÕES E NEGOCIAÇÕES”

Dia Mundial celebrado no Casino Figueira

A UNESCO proclamou a terceira quinta-feira do mês de Novembro como data de celebração do Dia Mundial da Filosofia. Em 2008 o Casino Figueira recebeu as comemorações do cinquentenário da morte do intelectual figueirense Joaquim de Carvalho, uma iniciativa promovida pela Associação Dr. Joaquim de Carvalho e a Escola Secundária com 3.º CEB Dr. Joaquim de Carvalho, em parceria com a Sociedade Figueira Praia. Então o jornalista Carlos Magno, que moderava o debate, sugeriu a comemoração anual do Dia Mundial da Filosofia. O repto lançado mereceu acolhimento e este ano voltou a filosofar-se no Casino.
A organização convidou António Pedro Pita e Pablo García Castillo (catedrático da Universidade de Salamanca) que na tarde de domingo passado falaram sobre "Filosofia, Cidadania e Democracia".

“A Filosofia não tem um reduto antecipado”
Para Pedro Pita o papel do filósofo não se prende com a busca pela verdade/mentira que surge diante do ser humano, mas sim em perceber uma situação em concreto que não é homogénea. A heterogeneidade, na opinião deste filósofo de Coimbra, "evidencia-se pela forma do desajuste para quem tiver olhos para ver", defendendo que "a valorização depende de quem vê".
Às dezenas de alunos da disciplina de Filosofia presentes neste debate, Pedro Pita explicou que "a Filosofia nasce, instala-se e organiza-se no desajuste do próprio mundo. Não tem um reduto antecipado, marcado ou limitado (como noutras ciências). Entrar na Filosofia não é entrar num campo, mas sim uma prática, um modo de construir conceitos".
Pode então a prática da filosofia mudar o mundo? Pedro Pita deixa uma resposta aberta a diversos entendimentos: "com a Filosofia aclaramos relações e percebemos enigmas".

“Uma educação dos olhos e dos ouvidos”
Pablo García Castillo conseguiu captar a atenção das dezenas de presenças nesta tarde filosófica, começando por esclarecer que estava ali para falar da vida de Sócrates, o grego, e não de Sócrates, o Primeiro-Ministro de Portugal.
"A Filosofia não serve nada", disse o professor catedrático originando interrogações na sala. Mas explicou: "porque nunca pretendeu servir. A Filosofia é a rainha de todas as conversações e negociações e sempre esteve preparada para todas as mudanças".
Transportando o tema do debate para a realidade comunitária, Pablo Castillo recuperou o conceito de "polis", onde a Filosofia era (é) o meio utilizado por excelência para dirimir disputas.
Rejeitando a ideia pré-concebida de que o filósofo "é gente despistada", o catedrático da Universidade de Salamanca encara a ciência como "uma educação dos olhos e dos ouvidos. Temos de aprender a observar e a escutar o que nos rodeia".
Concorda com o modelo socrático (grego, não português) assente na ideia de que a Filosofia está intimamente relacionada com "a palavra como arma que se lança aos inimigos quando as defesas estão baixas". Na sua opinião, a verdade não é um sofisma, tem de ser construído todos os dias com os vários contributos que chegam da própria sociedade, também ela em constante evolução.
Por fim, Pablo García Castillo deixou alguns conselhos conectados com o conceito de "tecnologia moral", enquanto forma de prolongar o próprio ser humano. Esta teoria pretende "trabalhar" o material - ideias, conceitos, pensamentos - e colocá-lo ao serviço da humanidade. Tendo como base a conversa, a negociação, o debate e o livre pensamento.
O segundo painel desta tarde filosófica contou com a presença de António Pedro Vasconcelos, João Maria André e Rafael Carriço. "Filosofia, Cidade e Cultura" foi o tema de conversa numa moderação entregue novamente a Carlos Magno.

Jorge Lemos

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“T DE LEMPICKA” NO PALÁCIO SOTTO MAYOR


No cenário único do Palácio Sotto Mayor, Carlos Carvalheiro e o seu grupo “FATIAS DE CÁ”, levam à cena, a partir de amanhã e em várias representações, a peça teatral “T de Lempicka”.
Em 1927, a pintora polaca Tamara de Lempicka visitou Itália a convite do intelectual italiano Gabriele d’Annunzio, para lhe pintar o seu retrato, mas d’Annunzio só pensa em seduzi-la… Em Itália, em pleno regime fascista de Mussolini, os espectadores são recebidos como convidados na casa de Gabriele d’Annunzio, repleta de intrigas políticas e sexuais, onde a chegada de Tamara provoca resultados “explosivos”.
A acção podia ser acompanhada de sala em sala, escolhendo cada elemento do público a peça que quer ver, a cada momento, ao mesmo tempo que desfruta de um jantar de luxo.
Na primeira sala encontramos Aldo Finzi, polícia fascista, por quem temos de passar para carimbar o nosso passaporte e validar a entrada na casa. Feitas as apresentações e conhecidas todas as personagens (hóspedes e criados de d’Annunzio), teremos de optar quem vamos seguir para o cenário seguinte: Emilia Pavese, a criada ladra de d’Annunzio; Luisa Baccara, célebre pianista; Aélis Mazoyer, a governanta; ou aguardar com Gabrielle d’Annunzio, na sala inicial, a chegada da pintora Tamara Lempicka, para logo abandonarem a sala, deslocando-se para o quarto. De sala em sala, a trama vai-se desenrolando até ao seu final inesperado, entre segredos, sonhos e traições… Mais do que uma peça de teatro ‘tradicional’, este é um espectáculo interactivo, com entrada a 30 euros (jantar incluído), para ver amanhã, às 19h18, e a 28 de Novembro, à mesma hora. Informações e reservas pelo 960303991, por e-mail para reservas@fatiasdeca.net ou em www.fatiasdeca.net.



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“O VINHO É UMA DAS BEBIDAS MAIS PURAS CRIADAS PELO HOMEM”

“DA VINHA AO VINHO” NO CASINO FIGUEIRA ATÉ DIA 27


O evento “Da Vinha ao Vinho” dá a conhecer, até ao próximo dia 27 de Novembro, as origens, o fabrico e as diversas castas de um produto que integra a cultura nacional.
Exposições, palestras, provas de vinhos comentadas, acessórios, apresentações de livros e um mini-curso de iniciação à prova de vinhos são algumas das acções que constituem este evento, dinamizado pelo Casino Figueira.
A iniciativa visa a valorização e divulgação de Portugal como país de vinhedos e de vinhos, já que este é um património nacional riquíssimo e de elevado potencial qualitativo que importa preservar, como garante da afirmação e importância desta cultura, a nível nacional.
Da “Vinha ao Vinho – as castas portuguesas”, do Instituto do Vinho e da Vinha é uma das duas exposições patentes no Casino Figueira. Nesta mostra são apresentadas algumas fotografias dos arquivos do Instituto da Vinha e do Vinho, L.P e da revista Blue Wine – A essência do vinho, bem como algumas peças do Museu do Nacional do Vinho (Alcobaça) com o objectivo de assinalar o forte peso que a cultura da vinha e do vinho sempre tiveram no nosso país. Ao visitante é, ainda, dada a oportunidade de conhecer todo o processo produtivo, de uma forma mais tradicional, desde os trabalhos no solo ao engarrafamento do vinho.
A outra exposição patente “Vinoscópia – O vinho como nunca antes visto…”, concedida pelo Museu do Vinho e da autoria do Prof. Dr. Jorge Rino (Universidade de Aveiro), baseia-se em imagens ao microscópio que realçam o carácter pictórico e cromático natural, que os olhos humanos, à vista desarmada, não descortinam, mas que a tecnologia de ponta e os microscópios desvendam.
Para além das exposições, amanhã e domingo a ViniPortugal dinamiza dois mini-cursos de iniciação à prova de vinhos, a partir das 17h00, e de entrada gratuita. No dia 25, às 18h30, Duarte Fernandes fala sobre “O Vinho na Gastronomia”, com uma prova de vinhos harmonizada com queijos e enchidos. João Paulo Martins e o Chefe Vítor Sobral apresentam, dia 26 às 18h30, a sua obra “Portugal de Hoje à Mesa”.
As Provas de Vinhos comentadas pelos especialistas, que começaram ontem com “Momentos Bairrada”, decorrem ainda amanhã e domingo, dias 21 e 22, e nos dias 25, 26 e 27 de Novembro, com a presença de vários produtores nacionais.

“BRINDAR NUMA FESTA DOS SENTIDOS”

“Não sou um especialista de vinhos. Sou um apreciador e quero partilhar este gosto com todos aqueles que lerem este livro”, referiu Rogério Dardeau, autor do livro “Vinhos – uma festa de sentidos”, da Editorial Estampa, apresentado no Casino Figueira, no passado dia 16.
Esta obra – que vai já na quarta edição no Brasil, país de origem do escritor – tem como objectivo incentivar o leitor a apreciar o vinho, que segundo Rogério Dardeau “é uma das bebidas mais puras criadas pelo homem”.
“O que faz ler este livro é o desejo de apreciar e a verdade é que, apesar de toda a história e tradição, em Portugal há pouca apreciação do vinho”, frisou Rogério Dardeau, lembrando que “as castas deste país são absolutamente maravilhosas”.
Com prefácio de Paulo Laureano, um dos mais conceituados enólogos portugueses da actualidade, o livro é um guia prático pelo mundo dos vinhos, que ensina o leitor a “brindar numa festa dos sentidos”.
A família de Rogério Dardeau, de origens francesas, elabora vinhos, a partir de vinhedos próprios, há mais de três séculos em Montlouis sur Loire, França. Em 1970 o autor dá início a um percurso de descoberta pelo mundo vitivinícola e, entre 1984 e 1986, obtém uma formação especial com um escanção português. Preparou e realizou vários cursos de degustação de vinhos, tendo escrito alguns dos textos que acompanhavam estes cursos. Mais tarde, esses mesmos textos, deram origem ao livro “Vinhos – uma festa de sentidos”, lançado agora em Portugal.
Quanto a este acontecimento de “celebração do vinho” realizado no Casino Figueira, Rogério Dardeau, advogado de profissão, considerou que “eventos como este são importantes porque fortalecem a cultura do vinho nacional”, concluiu.
No final da apresentação da obra houve tempo, ainda, para uma prova de vinhos da Quinta do Casal Branco, região do Ribatejo, sendo oferecidas ao público três variedades desta marca: Falcoaria Branco; Tinto 100 por cento Touriga nacional e um Espumante Monge. Fundada em 1755, a Quinta do Casal Branco, localizada entre Almeirim e Benfica do Ribatejo, tem cerca de 660 hectares e da sua actividade destacam-se a agricultura, floresta, produção de vinhos e criação e ensino de Cavalos Puro-sangue Lusitano.

DEGUSTAÇÃO COM ORIGEM RIBATEJANA

Situado no Ribatejo, o Vale D’Algares nasceu há quatro anos como um projecto enoturístico, sendo a produção de vinhos uma das vertentes deste espaço, em harmonia com o turismo e Centro Equestre.
O vinho Guarda Rios, produzido nesta quinta ribatejana, foi dado a provar na sessão de degustação realizada no Álea Restaurante Bar, com José Manuel, gestor do projecto Vale D’Algares, a explicr a origem desta “marca” que, apesar de jovem, já arrecadou várias medalhas de excelência.
O Rosé colheita de 2006 é constituído por castas de Aragonês (80%), Syrah (10%) e Touriga Nacional (10%), tendo cada garrafa o custo médio de oito euros.
No que diz respeito ao Guarda Rios Branco, vencedor da Medalha de Ouro no “Wine Master Challenge 2009”, é constituído por castas Chardonnay (34%), Sauvignon Blanc (26%), Fernão Pires (24%) e Alvarinho (16%), sendo actualmente “um vinho que se encontra esgotado no mercado devido à grande procura a nível nacional e internacional”, explicou o gestor.
Por último, mas não menos importante, os apreciadores de vinhos presentes na sessão de degustação saborearam o Guarda Rios Tinto, composto em 50 % por castas Syrah, 20% Touriga Nacional e 15% de Aragonês e Merlot, um vinho que deve ser servido a uma temperatura entre os 16 a 18 graus. Todos os vinhos apresentados são o resultado da primeira colheita do Vale D’Alagares, realizada em 2006.
“A produção de vinhos não é o todo do nosso projecto, mas constituiu uma mais-valia para o mesmo”, destacou José Manuel, realçando que “se está a assistir em Portugal ao desenvolvimento e crescimento de projectos como este, ou seja, enoturísticos”, conclui.


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