Director:  
20/11/2009  
Ano 91º  
Edição N.º 5640  
O Figueirense
 
  Crónicas

A OCASIÃO QUE FAZ O LADRÃO FEZ A JUSTIÇA

Aconteceu em Almancil, na noite de sábado para domingo, a situação insólita que a fotografia documenta.
Um meliante tentou assaltar um supermercado local, através de um postigo da cave no qual acabou por ficar entalado e sem hipótese de fuga, desde as 23 horas de sábado às 7 horas de domingo.
Independentemente do caricato da situação, o que me chamou a atenção, em tempos de crítica generalizada à Justiça em Portugal, foi que a “punição” do meliante foi célere, eficaz, com sentido pedagógico, cumprindo pois a função preventiva e punitiva.
É caso para se dizer que se a “ocasião faz o ladrão”, neste caso, a “ocasião fez a justiça”.
A ocasião, no caso, evitou a prática de um crime, ou seja, o “entalanço” foi justiça preventiva, mas também punitiva – a pena, aplicada no imediato, pela tentativa da prática de um ilícito.
A ocasião, no caso, fez justiça exemplar, deixando o criminoso exposto publicamente no cumprimento da pena ocasional – o “entalanço”.
Não sou dos que defendem a pena de talião mas creio que tivemos, no caso, uma circunstância ocasional de terrível eficácia – fez-se justiça!
Vem também isto a propósito do facto de o novo Governo ter anunciado a constituição de uma “Comissão de Sábios” para a revisão das leis penais e de o Ministério da Justiça ter anunciado, na passada quarta-feira, ter reunido com as “grandes figuras da justiça”.
Pois bem, lá vem outra vez a ânsia da revisão das leis a cada nova legislatura. Quatro anos é apenas o tempo para se começarem a ver os primeiros resultados da anterior revisão, não o tempo para nova revisão.
Não se pode legislar por e para um acidente de percurso, por e para um incidente processual.
Pois bem, as “grandes figuras da justiça” não são aqueles que se tem digladiado nos media, sacudindo a água do capote e imputando-se, mutuamente, a responsabilidade pelo actual estado da justiça?
Melhor será pois que os sábios estudem e publiquem o seu saber e que as “grandes figuras” exerçam prudente discreta e eficazmente as suas nobres funções.




Joaquim Gil - Director

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UMA VIAGEM

FONTE LUMINOSA


A qualidade das relações entre os países e os respectivos povos também se estimula pela facilidade com que comunicam. Entre os países Lusófonos, apesar das distâncias que os separam, a língua comum é um enorme facilitador da comunicação.
Mas comunicar não é só falarmos facilmente uns com os outros. É também partilhar interesses, conhecermo-nos, desenvolver actividades em conjunto e, para isso, é também necessário que possamos estar mais perto uns dos outros.
Aproximar dois povos é o que a LAM e a TAAG estão a fazer criando dois voos directos semanais entre as cidades capitais de Maputo e Luanda.
Ao participarmos no voo inaugural entre Maputo e Luanda sentimos como pequenos gestos, pequenas iniciativas, podem ser tão relevantes para o futuro dos países e tão mais importantes que discursos inflamados.
Não sei se os voos vão ser economicamente rentáveis, sei que ,no que às relações entre os povos diz respeito, o serão sempre.
Esta não foi mais uma viagem daquelas que rapidamente esquecemos porque nelas não há nenhuma afectividade ou desígnio.
Esta é uma viagem que fica gravada na nossa memória e relativamente à qual gostaremos de poder dizer daqui a muitos anos que participámos no voo inaugural de uma linha aérea que continua a unir dois povos e dois países lusófonos!



Luís Parreirão

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