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Reportagem
“Presépios” de Maria Cavaco Silva no Palácio Sotto Mayor
Mais de uma centena de pessoas marcou presença na inauguração da exposição “O Presépio” no Palácio Sotto Mayor, esta quarta-feira.
A mostra – que reúne 150 presépios da colecção da Primeira-dama, Maria Cavaco Silva, que se fez acompanhar no evento pela neta, Mariana – é promovida pelo Museu da Presidência da República, em mais uma parceria com o Casino Figueira, detentor do Palácio.
Para ver até 10 de janeiro.
Organizada em diferentes espaços, a exposição – patente até 10 de Janeiro, diariamente das 14 às 18h00 – integra peças nacionais e internacionais, mas é sobretudo, para Maria Cavaco Silva, um repositório de afectos. “Não é uma colecção preciosa”, afirma, muito embora da colecção façam parte peças de Siza Vieira ou Júlio Resende. “Todos têm uma história, mas claro que alguns são especiais, como os feitos pelos meus netos ou os que me foram oferecidos por instituições, fruto do trabalho de pessoas que têm tantas dificuldades nos seus gestos diários e que, ainda assim, são capazes de obras extraordinárias”, referiu Maria Cavaco Silva aos jornalistas.
Generosa nas explicações que foi dando sobre muitas das peças em exposição, a Primeira-dama guiou os presentes pelas várias salas por onde esta se estende, não sem antes dar o exemplo: pagou a entrada (um euro) e comprou dois exemplares do catálogo da exposição (2,5 euros cada). “O dinheiro tem um destino muito bonito, julgo que só por isso vale a pena visitar a exposição”, disse, aludindo ao facto de a receita apurada com as entradas e a venda dos catálogos reverter, integralmente, para o Centro Social da Cova e Gala, uma instituição local que apoia crianças e população carenciada.
A cerimónia de inauguração da exposição “O Presépio” contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, João Ataíde, bem como do presidente da Entidade de Turismo do Centro, Pedro Machado, para além de diversos outros autarcas, do director do Museu da Presidência, Diogo Gaspar, e do Cónego João Veríssimo. D. Albino Cleto, co-autor dos textos do catálogo com Maria Cavaco Silva, não pode estar presente. No final da cerimónia a Primeira-dama e todos os presentes foram brindados com a actuação do Coral David de Sousa.
Sobre a colecção
“O Presépio” reúne peças de diversas proveniências, nacionais e internacionais, desde lugares longínquos, como Brasil e Israel, até aos centros tradicionais de produção presepista nacional, como Barcelos e Estremoz.
A colecção de presépios de Maria Cavaco Silva – parte significativa da qual integra a exposição, no palácio Sotto Mayor – é “fruto de uma recolha informada e afectiva efectuada ao longo dos anos”, pela primeira-dama, “em resultado do seu interesse pessoal, das suas viagens e das suas funções de representação”.
Inclui obras de artistas contemporâneos como Júlio Resende ou Siza Vieira e presépios de artesãos nacionais como Júlia Ramalho, Baraça ou os Irmãos Ginja.
Integra ainda “peças de grande valor simbólico, que traçam a actividade sócio-cultural de várias instituições de solidariedade social”, ligadas a causas apoiadas e abraçadas por Maria Cavaco Silva.
Entre as matérias-primas que dão corpo aos 150 presépios contam-se, entre outras, a cerâmica, madeira, lata, barro, azulejo e cortiça.
Esta é, segundo o Museu da Presidência da República, a oportunidade para “conhecer uma profusa e curiosa variedade de representações iconográficas alusivas à natividade”.
Mensagem de Natal
"Como todas as coisas importantes do mundo, o Natal é uma história de ‘Era uma vez…”.
Na minha infância essa história era diferente da que contamos hoje, apesar de, bem feitas as contas às palavras, irmos sempre encontrar o que verdadeiramente interessa e importa.
Era uma vez um Menino que tinha nascido em Belém, numa noite muito fria mas luminosa de estrelas e anjos. Havia muito tempo mas esse nascimento mudara de tal maneira o mundo que todos os anos o mundo mudado se unia em celebração comovida desse momento mágico.
Havia sapatos na chaminé, cheios de esperança de brinquedos e guloseimas. Havia principalmente urna Criança que vinha todos os anos, no Inverno, iluminar a vida de muitas outras crianças, pobres como Ela.
Nada de Pai Natal, renas, ruas iluminadas e lojas a atraírem pessoas como borboletas enfeitiçadas.
Sendo tudo muito simples, as figurinhas do presépio tornavam-se com naturalidade um centro de atracção para grandes e pequenos.
Talvez seja desta memória de Natais de tempos muito difíceis dum pós guerra cheio de mãos vazias e de um gosto antigo pelas imagens ingénuas de barro colorido que acompanharam tantas gerações, que nasceu este meu encanto que não se explica, apenas se vive.
Venho partilhar convosco, com muita alegria, algumas peças que os anos e os caminhos da vida me puseram nas mãos.
Não gosto de chamar aos meus presépios uma colecção. Porque acho que é um pouco mais do que isso. Uma troca de afectos e de experiências.
Cada um deles tem uma história que guardo na arca do tesouro.
Este, branco e dourado, é mexicano e foi oferecido por uma senhora norueguesa. Aquele, colorido e maneirinho, foi trazido da Bretanha por um padre que levou em troca um de pau preto, angolano, que lhe iluminou a cara toda.
Vindos de longe e de perto, materiais vários e mãos sempre envolvidas de alma e coração na tarefa de contar essa história de ‘Era uma vez...” que mudou o Mundo há mais de 2000 anos.
Que vos dê tanta alegria vê-los como me deu a mim partilhá-los convosco.
Bom e Santo Natal para todos"
Maria Cavaco Silva
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“Adoro a sensação de não ter estatuto”
À conversa com Miguel Babo
Nasceu a quatro de Dezembro de 1965. No dia em que completou 44 anos, o jogador de xadrez que se iniciou nesta modalidade aos quatro recebeu
O Figueirense para falar das suas quatro paixões: o xadrez, o basquete, a escrita e a produção de espectáculos.
É difícil definir a sua profissão, porque ambiciona ter várias ao mesmo tempo. Isto se conseguisse que um dia tivesse 48 e não apenas 24 horas.
Natural da Figueira da Foz, Miguel Babo foi jogador de basquete, licenciou-se em Engenharia Química, pós graduou-se em Gestão e Marketing, foi modelo, actor, produtor e realizador audiovisual, escritor, e é o fundador e um dos organizadores do Festival Internacional de Xadrez da Figueira da Foz. Hoje diz querer "viver todas as vidas".
Foi através do pai, Jorge Babo - título de Mestre da Federação Portuguesa Xadrez na época de 1949/50 -, que desde cedo lhe foi incutido o gosto de jogar xadrez.
"O meu pai começou a ensinar-me a jogar tinha eu quatro anos e posso dizer que aprendi a mexer as peças com alguma facilidade. Para que a minha motivação não enfraquecesse, o meu pai decidiu dar-me dez tostões por cada partida ganha. Então passava a vida a jogar e a desafiar todos para uma partida", contou, recordando que "o mealheiro começou a ser pequeno para tantas moedas".
Com sete anos venceu o primeiro torneio de xadrez, vitória alcançada no X Torneio do Casino Peninsular.
"Hoje ainda guardo essa taça com particular estima e emoção", disse. Depois deste, muitos outros torneios se seguiram e com oito anos Miguel Babo chegou a jogador de primeira categoria.
"A dada altura todos, em especial o meu pai, me diziam que ia ser uma espécie de menino-prodígio da modalidade", afirmou, salientando que a sua ambição se ficou por ali.
"Na altura (aos 9 anos) deixei de aceitar convites para ir jogar fora da Figueira. Porque para poder ir era necessário que o meu pai me acompanhasse, mas a disponibilidade que havia para a deslocação não era mesma que os pais de hoje têm", disse.
Como nasce um torneio
Passados cerca de 21 anos Miguel Babo volta aos torneios, às competições de xadrez, participando nas fases preliminares dos torneios nacionais. É a partir daqui que nasce a vontade de desenvolver na Figueira da Foz um torneio.
"Quando voltei a jogar deparei-me com condições de jogo muito aquém daquelas que tinha como referencia, ou seja, que o meu pai me tinha incutido", referiu. Determinado a "lutar" por aquilo que considerava ser de valor Miguel Babo não tardou em planear, e mais tarde concretizar, o que achava ser digno para a modalidade.
"Se não dignificarmos aquilo o que fazemos, ou o que outros fazem, nada tem valor", disse, realçando que criticar não bastava, havia que fazer.
Em 2004, motivado por engrandecer as referências que lhe tinham sido ensinadas desde os quatro anos, Miguel Babo, em conjunto com pessoas que partilhavam a mesma paixão, realiza o I Festival Internacional de Xadrez da Figueira da Foz (FIXFF), evento que hoje coloca nos tabuleiros do mundo o nome da Praia da Claridade.
"A partir daqui fomos sempre tentando que o Festival fosse crescendo. No primeiro ano trouxemos para a Figueira 20 jogadores. Em média temos conseguido trazer 50. Mas o número de jogadores não tem sido o nosso objectivo, mas sim a qualidade dos jogadores e o número de países aqui representados, que de ano para ano tem vindo a crescer", explicou a O Figueirense.
"Haja o que houver, seja eu ou outra qualquer pessoa a organizar, espero que o FIXFF mantenha sempre uma boa qualidade. Acredito que este Festival está para durar, podendo ser melhorado em alguns aspectos e, também, podendo crescer em termos do número de países participantes", destacou, satisfeito por este ser um evento que conta, desde o primeiro momento, com o apoio da autarquia figueirense, em paralelo com apoios privados.
Do xeque-mate aos cestos
Mas na história de Miguel Babo não há lugar para ausência de paixões. Aos 9 anos, quando deixou o xadrez, encontrou rapidamente uma nova paixão, ainda hoje viva: o basquete.
"Joguei a um nível razoável mas nunca fui uma vedeta como gostava de ter sido", admitiu, no meio de algumas gargalhadas.
Jogou em clubes como o Ginásio, a Naval 1.º Maio, a Académica e os Olivais. Actualmente joga de forma mais comedida porque, referiu, "as lesões que se fazem em jogo são agora mais difíceis de sarar".
Licenciou-se em Engenharia Química pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, mas quando terminou estava de tal forma "saturado da química" que decidiu não trabalhar na área.
"Comecei a dar aulas ao terceiro ciclo e esta experiência considero-a positiva e enriquecedora", frisou, lançando de imediato um "mas".
"Sempre fui uma pessoa que não gostava de fazer fosse o que fosse com a ideia de que seria para sempre. Então decidi ir para a Finlândia tirar uma pós-graduação na área de Marketing. Assim, poderia ser mais uma porta que se estava a abrir", recordou.
Para além da Química e do Marketing, Miguel Babo frequentou a licenciatura em Filosofia , mas o nascimento da sua filha (hoje com 10 anos de idade) levou este figueirense a não continuar , porque como explicou, a disponibilidade de tempo começou a ser reduzida.
Ao lado de Cláudia Schiffer
No meio da vontade de aprender, descobrir e conquistar o que à partida é desconhecido, Miguel Babo inicia uma passagem - não considera carreira - pelo mundo da moda. "Sempre gostei e gosto de fazer algo de novo. Adoro a sensação de não ter estatuto", sublinhou, referindo que começou a ser modelo aos 30 anos. Apesar de curta no tempo, a experiência de modelo foi grande em emoções.
"O trabalho mais emblemático que realizei como modelo foi com a Cláudia Schiffer", disse a O Figueirense, contando os contornos que o envolveram com uma Top Model Internacional.
"A minha agência "GAP" conseguiu que nós (ao todo três) fossemos fazer o casting. E surpresa das surpresas: a própria Cláudia foi quem seleccionou o casting. E eu fui escolhido! (risos) mas era um trabalho de grandes dimensões e não fui o único a participar. Houve muitos outros que também ficaram", contou. Aconteceu em 2001, na altura em que uma operadora de telecomunicações móveis contratou a modelo internacional para realizar um anúncio inserido numa campanha promocional.
"Este foi um trabalho que fiz com seriedade mas que não era para levar a sério. A escrita já levo muito a sério", contrapõe.
Do manifesto coimbrão aos livros
"Quando escrevemos e tornamos público este acto, há uma grande exposição da parte do autor. Se não queremos arriscar essa mesma exposição não o fazemos. Mas quando o fazemos, assumimos que temos uma ambição nesse sentido", frisou Miguel Babo que em 2010 pretende publicar o quarto livro da carreira literária que iniciou em 1999, aquando da publicação de um manifesto que relata uma experiência menos positiva vivida na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. "Quando escrevi este manifesto já tinham passados alguns anos sobre os factos. Foi uma viagem no tempo, que me fez reviver momentos, emoções e aí nasce um prazer: escrever revivendo momentos e memórias", explicou. Em 2002 publicou o romance "Quando as almas se despem", e em 2008 o livro infantil "Pivete: o pequeno corsário".
O livro, dirigido a crianças, começou a ser redigido durante a participação de um torneio de xadrez em Ortigueira, distrito de Viseu.
"Era um local muito isolado, passava várias horas sozinho, e no meio desse ambiente iniciei esta história utilizando a mesma técnica: uma viagem por momentos vividos de uma criança com 10 anos de idade. E, honestamente, acho que resultou", disse, sublinhando que a escrita "é uma paixão que veio para ficar", tal como a produção na área do espectáculo, uma vertente que "se tivesse oportunidade estaria sempre presente no meu dia-a-dia".
Para Miguel Babo os projectos não se ficam por aqui, e reaproveitar e recuperar conhecimentos adquiridos nas várias formações que foi realizando ao longo da vida é um dos objectivos, mas que ainda não estão delineados.
"Agora tenho que ter tempo para pensar no que quero fazer a seguir", concluiu.
Raquel Vieira
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“Queremos viver como um sueco e produzir como um tunisino”
Medina Carreira no Casino Figueira
“A economia portuguesa é a mais débil dos últimos 90 anos. Em 2009 o Estado gastou quase metade do que os portugueses produziram”. O alerta foi deixado pelo antigo ministro das Finanças, Medina Carreira, durante a tertúlia “125 Minutos com…”, de Fátima Campos Ferreira, que decorreu no Casino Figueira na noite de terça-feira passada.
“Todos os anos gastamos 110 e produzimos 100. A solução é pedirmos dinheiro emprestado, razão pela qual a dívida cresceu 20 vezes nos últimos 10 anos”, considerou o jurista recordando que “o PS quer resolver o problema através das obras públicas. Uma burrice. Esta é uma solução completamente irresponsável e vai atirar o país, em 10 anos, a um endividamento brutal”.
Segundo o jurista, a dívida nacional aumenta em cerca de 60 milhões de euros por dia, tendo como referência os valores de 2009.
Na sua opinião, a solução passa pela captação de investimento externo. Contudo, há que criar condições, nos diferentes sectores da sociedade, caso da Justiça, Educação e Saúde, para que a entrada em território nacional seja atractiva.
Perante um auditório completamente esgotado, sublinhou que “queremos viver como um sueco e produzir como um tunisino”, sendo assim importante aumentar a capacidade produtiva dos portugueses e fomentar a exportação.
Neste cenário, Medina carreira defende ser necessário que o potencial investidor “puxe as orelhas” ao Governo e exija medidas que viabilizem a instalação de novas unidades fabris. “O cluster do mar é uma burrice. Somos um país sem futuro nestas condições. Sem um Estado a cumprir as suas obrigações de arrumar a sociedade, não há solução”.
“O sindicalismo é um mito”
Nesta noite Medina Carreira criticou ainda o actual modelo sindical afirmando que “onde há desemprego, o sindicalismo acabou, é um mito. Mas mantém-se junto ao Estado, que não abre falência. Os sindicalistas andam a fazer força zaragateando contra o Estado”.
Programa Novas Oportunidades é “trafulhice” e “aldrabice”
Medina Carreira arrasou o programa Novas Oportunidades, classificando-o de “trafulhice” e “aldrabice”, defendendo um regime educativo exigente como condição para a integração no mercado de trabalho.
O convidado de Fátima Campos Ferreira disse ainda que a educação em Portugal “é uma miséria” e que as escolas produzem “analfabetos”.
“(O programa) Novas Oportunidades é uma trafulhice de A a Z, é uma aldrabice. Eles (os alunos) não sabem nada, nada”, argumentou Medina Carreira.
Para o antigo titular da pasta das Finanças a iniciativa dos Ministérios da Educação e do Trabalho e da Solidariedade Social, que visa alargar até ao 12.º ano a formação de jovens e adultos, é “uma mentira” promovida pelo Governo.
“(Os alunos) fazem um papel, entregam ao professor e vão-se embora. E ao fim do ano, entregam-lhe um papel a dizer que têm o nono ano (de escolaridade). Isto é tudo uma mentira, enquanto formos governados por mentirosos e incompetentes este país não tem solução”, acusou.
As críticas de Medina Carreira estenderam-se aos estudantes que saem das escolas “e não sabem coisa nenhuma”.
“O que é que vai fazer com esta cambada, de 14, 16, 20 anos que anda por aí à solta? Nada, nenhum patrão capaz vai querer esta tropa-fandanga”, frisou.
Defendeu um regime educativo “exigente, onde se aprenda, porque os empresários querem gente que saiba”.
Questionado pela jornalista Fátima Campos Ferreira, anfitriã da tertúlia, sobre a avaliação de professores, Medina Carreira classificou-a de “burrice”.
“Se você não avalia os alunos, como vai avaliar os professores?”, inquiriu.
Admitiu, no entanto, que os professores terão de ser avaliados, desde que exista “disciplina nas aulas, o professor tiver autoridade, programas feitos por gente inteligente e manuais capazes”, argumentou, arrancando aplausos da assistência.
Assembleia da República vale tanto como a Assembleia Nacional de Salazar
O antigo ministro das Finanças Medina Carreira acusou os deputados da Assembleia da República de não terem voz activa, comparando o Parlamento à Assembleia Nacional de Salazar.
“Aquilo (o Parlamento) vale tanto como a Assembleia Nacional do Salazar. Eles não valem nada, não têm voz activa”, disse Medina Carreira. Intervindo durante a tertúlia Medina Carreira disse que no tempo de Salazar a “mistificação” na Assembleia era “igual” mas “mais autêntica”.
“Salazar dizia «ninguém mia» e ninguém miava. Agora é um fingimento, quem está na Assembleia são os tipos escolhidos pelo chefe do partido, se miam não entram na legislatura seguinte e como vivem daquilo têm de não miar”, sublinhou.
Rotulou os deputados de “obedientes” e “escravozitos que andam por ali na mão dos chefes partidários”.
“Sabem que se falarem, não entram (nas listas)”, disse, dando como exemplos o histórico socialista Manuel Alegre e os ex-ministros Manuel Maria Carrilho e João Cravinho.
“O Alegre falou, correram com ele, ao Manuel Maria Carrilho deram-lhe um lugar bom em Paris, o Cravinho começou a mexer na corrupção deram-lhe um lugar em Londres. E aqueles outros que não podem ir para Londres nem para Paris, calam-se”, argumentou Medina Carreira.
Defendeu alterações ao sistema eleitoral, que classificou de “saco de gatos”.
“É um sistema de saco de gatos, o partido mete lá [nas listas] 20 pândegos. Contaram-se os votos, saem cinco e o senhor foi um dos cinco que saiu”, ilustrou.
Referindo que os deputados “não têm de lutar pela eleição”, preconizou, embora sem o referir, a constituição de círculos uninominais, em que a escolha dos deputados seja feita directamente pelos eleitores e não pelos “chefes” partidários.
Considerou que dos 230 parlamentares actuais, o número de bons deputados não excede os 30 “e o resto anda lá para cumprir horário”.
“Nós temos umas instituições para decoração, enquanto o povo não eleger os deputados, aquilo (a Assembleia da República) é uma construção caduca”, sustentou.
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