Director:  
31/10/2008  
Ano 90º  
Edição N.º 5584  
O Figueirense
 
  Cultura

“Sentidos de Estado “superou as expectativas”

Exposição chega hoje ao fim depois de 103 dias na Figueira da Foz

Encerra hoje a Exposição “Sentidos de Estado”, patente no Palácio Sotto Maior desde Julho último, numa iniciativa do Museu da Presidência da República, com o apoio da Sociedade Figueira Praia.
“Esta exposição na Figueira da Foz superou, em muito, as minhas iniciais expectativas”, sublinhou Diogo Gaspar. O Director do Museu da Presidência da República destaca como factores que mais o surpreenderam de uma forma positiva a “capacidade de mobilização que esta exposição teve para acolher os vários grupos” e “sobretudo para movimentar as diferentes esferas da sociedade civil da Figueira da Foz”.
“Inicialmente estive um pouco céptico em relação à capacidade que tínhamos de mobilização de um público que estava de férias, e para um tema que às vezes está tão distante das pessoas. Mas foi nessa altura fomos visitados por mais de 8 mil pessoas, o que levou a que prolongássemos a exposição para que as pessoas da própria Figueira, e dos arredores, que não estavam durante o período de Verão, e também as escolas, pudessem beneficiar da exposição”, explicou o Director, sublinhando que assim foi possível “desenvolver um trabalho educativo/pedagógico” junto da comunidade escolar.
A exposição “Sentidos de Estado” foi visitada por vários grupos de escolas – João de Barros, Joaquim de Carvalho e Bernardino Machado – da Figueira da Foz, mas também por duas escolas de Coimbra, bem como pelos alunos da Universidade Sénior da Figueira da Foz.
Para Diogo Gaspar, a parceria desenvolvida entre o Museu da Presidência e a Sociedade Figueira Praia “resultou muitíssimo bem”.
“A seu tempo, e com tempo, iremos pensar noutros projectos de futuro para desenvolver em conjunto com a Sociedade Figueira Praia”, frisou o Director, destacando ainda que em Dezembro irá participar de uma conferência no Casino, “para permitir que um público mais alargado de pessoas possa beneficiar daquilo que se fez no Palácio Sotto Maior, e que foi um sucesso – teve mais de 170 pessoas – a conferência sobre a Biografia dos Presidentes e o Estado Democrático”, realizada no dia 1 deste mês.
“Devo dizer que estou particularmente contente, por mim, pelo Museu, pelos meus colegas, com o resultado que alcançámos na Figueira da Foz”, conclui o Director do Museu.
Recorde-se que, para além da própria Exposição, “Sentidos de Estado” deu o mote a um conjunto diversificado de iniciativas, de apresentação de livros a concertos nos jardins do Palácio Sotto Maior, destacando-se – no espaço térreo do confinante edifício do MultiCenter – a exposição de algumas das viaturas que, ao longo de quase um século, estiveram ao serviço dos Presidentes da República, bem como o lançamento de um livro sobre essa temática, intitulado “Os Motores da República”, num dia em que diversos carros antigos se associaram ao evento, desfilando pelas ruas da Figueira da Foz.






Raquel Vieira

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“Gente famosa” à “conversa sobre Portugal”

No ReACONTECE de 6 de Novembro

Carlos Tê, Emídio Rangel, Fernanda Borsatti, João Maria Tudela, Mário de Oliveira e Sansão Coelho são os convidados de Carlos Pinto Coelho na oitava edição do ReACONTECE, que chega ao Salão Caffé do Casino Figueira já na próxima quinta-feira, 6 de Novembro, a partir das 22h00. Quanto à música, estará a cargo do Quinteto Amália, que assim protagoniza um regresso excepcional aos palcos, em exclusivo para o ReACONTECE.
Na plateia, Francisco José Oliveira estabelece a ligação com o público, dando voz às opiniões mais diversas.


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Inês Pedrosa nas Tertúlias do Casino

No 120.º aniversário do nascimento de Fernando Pessoa

Exactamente 33 anos e dois meses depois de ter publicado o seu primeiro texto na revista “Crónica Feminina”, Inês Pedrosa, jornalista, escritora e actual directora da Casa Fernando Pessoa, estará nas Tertúlias do Casino na Figueira.
É no próximo dia 4 de Novembro, terça-feira, às 22h00, com entrada livre, dois dias antes do leilão de parte do espólio que pertencia à biblioteca de Fernando Pessoa.

Estreou-se cedo, tinha apenas 14 anos. Hoje, aos 46 anos, 398 meses depois, a escritora e jornalista, Inês Pedrosa continua a impor o seu ritmo a um Portugal que nem sempre corresponde às suas expectativas.
Assumiu a direcção da Casa Fernando Pessoa em Fevereiro deste ano, no mesmo mês em que se comemoraram os 400 anos do nascimento do Padre António Vieira, uma figura que tem sido presença constante no seu trajecto. Hoje, a trabalhar intensamente na Casa de Fernando Pessoa, vê crescer os projectos e os sonhos.

Arca de Fernando Pessoa vai a leilão
“Estamos com uma grande actividade”, reconhece em entrevista telefónica a O Figueirense. “Estamos a organizar um congresso internacional com pessoanos de todo o mundo, em Lisboa, no final de Novembro (ver caixa), perto da data em que Fernando Pessoa morreu, a 30 deste mês”, explica. “Também reconstituímos o quarto de Fernando Pessoal, tal como era, ou quase, na casa em que viveu os últimos anos”, acrescenta. “Quase”, esclarece, porque não foi ainda possível ao Estado – através do Ministério da Cultura ou da Câmara Municipal de Lisboa (CML) – adquirir todo o espólio de Pessoa. “A CML pensava ter adquirido a biblioteca completa de Pessoa, mas entretanto têm surgido mais livros, nomeadamente alguns que vão a leilão, e que o Ministério da Cultura já classificou, de modo que podem ser vendidos, mas não podem sair do país”, explica. No mesmo leilão estará a arca de Pessoa (com o valor base de licitação de 50 mil euros), um objecto que Inês Pedrosa muito gostaria que voltasse ao quarto reconstituído do poeta. “Era bom que estivesse tudo no mesmo sítio”, afirma, “a bem do mundo”.
Para além de investigadores que chegam de todo o mundo para aprofundar o estudo da obra pessoana, todos os dias, a Casa Fernando Pessoa recebe cerca de 40 turistas, fora as visitas de escolas de todo o país, que são cada vez em maior número. “Agora com a abertura da Casa aos sábados de manhã ainda são mais os visitantes, sobretudo portugueses e espanhóis, que visitam Lisboa ao fim de semana”, acrescenta, sublinhando que, com nova sinalética e maior divulgação, a Casa está a crescer, “mas ainda não é o Museu dos Coches ou o Mosteiro dos Jerónimos”.
“Vêm de todo o mundo”
Brasileiros, ingleses e americanos são os que mais procuram a Casa de Fernando Pessoa. “Vêm de todo o mundo, mas sobretudo do Brasil”, reconhece a Directora, que não tem dúvidas: “Pessoa é mais amado no Brasil do que em Portugal”. A comprová-lo está, por exemplo, o documentário de hora e meia que a brasileira TV Globo está a fazer sobre Pessoa. “Infelizmente ainda não vi nenhum documentário do género feito pela televisão pública portuguesa, nem por nenhuma outro canal português”, lamenta.

Pessoa nos ecrãs da tv e do computador
Recentemente, “com a carolice de muitos”, a Casa Fernando Pessoa logrou, em apenas cinco dias, filmar uma série de 30 episódios de dois minutos, aproveitados por diferentes personalidades portuguesas para dizer poemas de Pessoa.
“O apoio da RTP traduziu-se em passá-los, em ceder o espaço televisivo. É pouco, para uma estação pública”, afirma. Realizada por José Luís Veiguinha, a série que passou na RTP em Junho deste ano deverá ter seguimento no Brasil, onde será filmada com personalidades brasileiras.
Inês Pedrosa admite que Pessoa é demasiado ‘grande’ para ser só português. “Aquilo que ele escreveu é de tal maneira universal… é impressionante como um homem que viajou tão pouco conseguiu imaginar o sentir e o ser da Humanidade nas suas várias facetas”, salienta. E porque Pessoa é um tesouro da Humanidade, “em 2009 estará on-line a biblioteca completa de Fernando Pessoa, que poderá ser ‘folheada’, página a página”. É um trabalho intenso – o de digitalizar a biblioteca Pessoa, com cerca de 1200 exemplares anotados à mão pelo poeta sobre temas da sua predilecção como poesia, hermetismo, matemática, religião, filosofia, etc., livros que o poeta não se limitava a ler, mas que anotava, sublinhava e usava como suporte para as suas próprias palavras – mas que levará aos quatro cantos do mundo a obra pessoana.

Política sem ambição
Até lá, Inês Pedrosa promete continuar a levar muito a sério o seu trabalho como Directora da Casa Fernando Pessoa. Tanto que, admite, para já a escrita está posta de parte. Ainda assim, é também sobre os seus livros que vem falar à Figueira da Foz. Deles, do mundo que a rodeia e da História que trouxe esse mundo, através dos séculos, até àquele em que vivemos, e onde Inês recusa ser apenas alguém que escreve, sem participar. Activa na sociedade civil, aquela que foi porta-voz da candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República, não evitará, decerto, qualquer tema. Como escreveu a Alegre, “gosto demasiado da verdade das palavras para as amaciar de acordo com as conveniências, e não tenho qualquer espécie de ambição política, a não ser essa, comezinha e quotidiana, de fazer tudo o que posso para ter o prazer de viver num mundo mais justo”.

Andreia Gouveia

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