Director:  
31/10/2008  
Ano 90º  
Edição N.º 5584  
O Figueirense
 
  Notícias

“O Solitário” julgado no Tribunal da Figueira

O Inspector-Chefe da Polícia Judiciária (PJ) de Coimbra responsável pela operação que culminou na detenção do “Solitário” manifestou-se anteontem convicto de que Giménez Arbe não desistiu voluntariamente de assaltar um banco da Figueira da Foz, como alega.
“Não foi um acto voluntário de desistência. Talvez se tenha apercebido de que estava a ser vigiado”, disse João Paulo Almeida em tribunal, durante a primeira sessão do julgamento do alegado assaltante, que teve lugar na passada quarta-feira na Figueira da Foz.
Giménez Arbe, 52 anos, era o homem mais procurado de Espanha quando foi detido, a 22 de Julho de 2007, na sequência de uma operação da PJ, no exterior da Caixa de Crédito Agrícola, na zona ribeirinha da Figueira da Foz.

As contradições
João Paulo Almeida, um dos três elementos da PJ que foram ouvidos, frisou que o suspeito dirigiu-se à porta da agência bancária e que “apercebeu-se de três pessoas (agentes desarmados, de calças de ganga) fez uma inflexão para a direita e ficou na esquina”.
Acabaria por ser detido, momentos depois, na rua lateral da agência bancária, por outros agentes da PJ, desarmados, que saíram de uma carrinha.
“Quando o agarraram, houve uma queda no chão, ma nietaram-no e conseguiram desarmá-lo”, precisou.
Pelo contrário, Gimenez Arbe sustentou que não se aproximou da porta do banco, embora assumindo que tinha a intenção de assaltar a Caixa de Crédito Agrícola da Figueira da Foz, mas que se arrependeu desse plano no último momento.

“Parecia uma alcateia
de lobos”
O arguido contestou, assim, um dos crimes de que é acusado – o de roubo na forma tentada – e também o de resistência à autoridade, alegando que era “impossível resistir” à detenção, por ter sido manietado e imobilizado pelos agentes policiais.
“Parecia uma alcateia de lobos”, ilustrou.
O Inspector-Chefe da PJ, por seu turno, disso que o arguido reagiu quando foi agarrado, tentando sacar de uma pistola que possuía “pronta a disparar”.
Os depoimentos sobre as armas que o suspeito carregava – uma pistola de calibre 45 dissimulada numa sovaqueira e uma pistola metralhadora de igual calibre numa mala de mão e respectivos carregadores – acabaram por dominar grande parte da sessão de hoje, com Gimenez Arbe a negar que as armas estivessem prontas a disparar.
Respondendo a uma questão do Procurador Adérito Santos, João Paulo Almeida explicou que Jaime Gimenez Arbe possuía na mala dois carregadores para a pistola-metralhadora unidos entre si, descentrados e invertidos, passíveis de serem usados daquela forma “pela rapidez em disparar”.
No conjunto das declarações prestadas no Tribunal da Figueira, o arguido só contestou dois dos cinco crimes de que é acusado, assumindo tacitamente a posse das armas e a falsificação das matrículas da viatura onde se fazia transportar.

Seguido via satélite
O Inspector da PJ explicou ainda que a equipa responsável pela operação estava alertada para a “perigosidade” do suspeito, cujos movimentos foram seguidos desde Espanha “via satélite” pelas autoridades do país vizinho.
A PJ alega que possuía uma descrição do “Solitário” e estava informada do seu modo de actuar, nomeadamente que actuava disfarçado e possuía um carácter “muito meticuloso”, tendo decidido detê-lo quando este se dirigiu à instituição bancária.
“Não é normal que alguém, seja português ou espanhol, vá disfarçado e armado a um banco”, referiu João Paulo Almeida.
O responsável pela operação frisou ainda que um agente que o vigiava no parque de estacionamento onde o suspeito deixou a viatura “percebeu que estava armado”, afirmação que motivou uma reacção de Gimenez Arbe: “Como é que ele viu, foi através de raio-x?”, inquiriu.
No final da sessão, Lígia Borbinha, advogada de Gimenez Arbe, considerou que a primeira sessão do julgamento “correu bem”, embora recusando comentar a estratégia da defesa, nomeadamente se o alegado arrependimento do assalto manifestado pelo arguido terá sustentação.
“Só depois é que sabemos”, afirmou.
Sobre uma afirmação de Gimenez Arme que garantiu ter sido agredido com “choques eléctricos” por parte de agentes da PJ, a advogada frisou que o arguido “ficou com marcas”.
“Foram apresentadas queixas que estarão a ser analisadas”, disse.
O julgamento continua a 19 de Novembro, pelas 10h15, faltando ser ouvidas oito testemunhas, todas da acusação – a defesa não arrolou testemunhas – entre agentes da PJ e funcionários da agência bancária.


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Licenciatura em Gestão leva vice-Presidente da autarquia a ser constituído arguido

O vice-Presidente da autarquia da Figueira da Foz, Lídio Lopes, classificou de “natural” ter sido constituído arguido no âmbito de um inquérito do Ministério Público (MP) sobre a sua licenciatura em Gestão de Empresas.
“É natural que, no actual momento autárquico e político partidário (com as eleições para a distrital do PSD), surja uma denúncia anónima que o Ministério Público pretende ver esclarecida”, disse à agência Lusa Lídio Lopes, confirmando a condição de arguido.
A edição online do jornal Campeão das Províncias noticia na semana passada que o autarca e a mulher, ex-Secretária Geral da Universidade Internacional da Figueira da Foz (UIFF), foram constituídos arguidos num processo destinado a averiguar “eventuais responsabilidades (…) no contexto da atribuição a Lídio Lopes de equiparação (pela Universidade Internacional) ao grau de bacharel”.
Segundo o jornal, Lídio Lopes, que é também Presidente da Concelhia do PSD da Figueira da Foz, “encontra-se sob suspeita de ter praticado o crime de usurpação de funções”, relacionado com a sua nomeação posterior como formador de um curso de Protocolo Autárquico, ministrado pela UIFF.
“Tenho a convicção plena de estar totalmente à vontade nestas questões”, disse o Vereador, recusando mais comentários sobre o processo.
O Campeão das Províncias frisa que Lídio Lopes reingressou na UIFF, em meados de 2004, por via de um concurso especial para titulares de cursos superiores estrangeiros, requerendo equivalências a disciplinas para prosseguimento de estudos, tendo obtido, passado um ano, a licenciatura em Gestão.
Acrescenta que as equivalências concedidas ao aluno, homologadas pelo Conselho Científico da Universidade Internacional da Figueira da Foz, basearam-se num curso de ensino à distância ministrado pela Universidade de Rochville (EUA), estabelecimento de ensino que não estará acreditado pelo Departamento de Educação daquele país.
Já Carla Murta, a jurista com quem o vice-Presidente da autarquia casou em 2008, está indiciada pela suposta autoria de falsificação de documento e de abuso de poder.
O Campeão das Províncias cita um despacho proferido nos autos, da autoria do magistrado João Romão, onde este alude à “colaboração prestimosa e activa” da então secretária-geral da UIFF, sobre quem pende a suspeita, diz o jornal, de ter “convencido” o Conselho Científico a conferir reconhecimento oficial às equivalências pedidas por Lídio Lopes.
Adianta que Carla Murta “redigiu a acta do referido Conselho inerente à reunião em que foi aprovada a concessão de equivalências e terá instruído o processo”.


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Pais contestam filme com conteúdos sexuais em aula de Religião e Moral do 9º ano

Escola Secundária Dr. Joaquim de Carvalho

A exibição de um filme com conteúdos sexuais numa aula de Religião e Moral levou os pais de um aluno da Escola Secundária Dr. Joaquim de Carvalho (também conhecido como Liceu) a anular a inscrição na disciplina e a fazer uma participação à Direcção Regional de Educação do Centro (DREC).
O caso ocorreu há cerca de duas semanas numa turma do 9.º ano daquele estabelecimento de ensino e culminou numa participação do sucedido à DREC por parte dos pais de um dos dois alunos da disciplina que contestaram a conduta do docente.

(ler mais na edição impressa)


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“O Figueirense” rasga horizontes na imprensa regional

A entrevista com a Eurodeputada Ana Gomes, publicada na última edição de O Figueirense, marcou uma nova etapa na já longa vida deste semanário. A caminho dos 90 anos, a vitalidade jornalística deste título foi reconhecida com a ampliação, a nível nacional, da referida entrevista, citada – entre outros órgãos de comunicação social – na Agência Lusa, SIC, RTP, Diário Digital, Jornal de Notícias, Expresso e ainda no jornal de distribuição gratuita nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, Destak.
Ao divulgarem algumas das afirmações de Ana Gomes a O Figueirense, citando devidamente a fonte, estes órgãos de comunicação social levaram o nome deste jornal a um número incerto – mas naturalmente elevado – de cidadãos. Mais do que a satisfação decorrente deste facto, a O Figueirense interessa a constatação de algo que há muito norteia o jornalismo desta Redacção: a convicção de que, num mundo em que a comunicação virtual aboliu as fronteiras físicas da informação, à Imprensa Regional cabe um papel mais amplo do que o determinado pela sua localização geográfica.
Assim, sem descurar naturalmente o Concelho da Figueira da Foz, O Figueirense logrou fazer uma entrevista a Ana Gomes, estando a Eurodeputada em Bruxelas, revelando aos seus leitores de sempre – e a tantos outros que o não são – uma notícia de interesse internacional.
O Figueirense prosseguirá neste rumo, ciente da responsabilidade que um jornal a entrar na nona década de vida tem em rasgar novos horizontes para a Imprensa Regional.


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